Governo quer mais crédito e BC chinês recomenda cautela

Gasto público cresceu quase 25% em maio, para US$ 208 bilhões, numa forte alta em relação ao aumento de 9,6% de janeiro a abril

O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2014 | 02h05

PEQUIM - O Banco Popular da China - banco central do país, também conhecido pela sigla PBoC, em inglês - informou ontem que vai manter a política monetária estável em 2014, mesmo depois de o Ministério das Finanças ter dito que os gastos fiscais saltaram quase 25% em maio sobre o ano anterior, destacando os esforços do governo para fortalecer a economia.

Os gastos fiscais em maio subiram para 1,3 trilhão de iuanes (US$ 208,75 bilhões), acelerando fortemente ante aumento de 9,6% de janeiro a abril.

O gabinete da China também revelou que está planejando mais grandes projetos de infraestrutura, incluindo rodovias, redes de trens e instalações de distribuição e armazenamento de gás e petróleo, como parte dos esforços para manter a economia crescendo a uma taxa estável. O salto nos gastos ocorre depois do fraco crescimento da economia no primeiro trimestre.

Desde então a economia tem mostrado sinais de estabilização, mas a recuperação parece desigual e analistas não descartam mais medidas de estímulo. As receitas fiscais subiram 7,2% em maio ante o mesmo mês do ano passado, desacelerando sobre avanço de 9,2% em abril. O ministério atribuiu o crescimento mais lento à desaceleração na economia e à queda das transações imobiliárias.

O BC da China tem descrito sua postura política como "prudente" nos últimos anos, mesmo quando está claramente afrouxando ou apertando os controles. No momento, por exemplo, as autoridade estão em um modo brando de afrouxamento para conter o esfriamento da economia.

O banco central afirmou que o cenário para a demanda externa é incerto, os fluxos de capital são voláteis e os riscos financeiros estão pesando sobre a economia. Os gastos do governo central subiram 15,8% em maio sobre um ano antes, enquanto os gastos dos governos locais subiram 26,9%, disse o Ministério das Finanças.

Mais reformas. O BC chinês também exortou os bancos a intensificarem seu apoio de crédito ao comércio e se comprometeu com mais reformas cambiais, em um pacote de medidas para apoiar o crescimento das exportações. Em comunicado, o BC chinês encorajou bancos a expandir o seguro de crédito para exportação e outras facilidades de crédito, especialmente para vendas externas de pequenas empresas.

Os bancos terão permissão para realizar liquidações em yuan de operações comerciais transfronteiriças, conforme o BC. O banco central tem conduzido ensaios individuais de liquidação de comércio exterior em yuan em algumas regiões desde 2012.

O banco também expandiu um programa que permite às multinacionais fazerem operações de financiamento transfronteiriças em yuan. Anteriormente, as negociações se limitavam à Zona de Livre-Comércio de Xangai.

O BC chinês se comprometeu ainda a permitir que as forças de mercado exerçam um maior papel na definição de taxa de câmbio do yuan, embora ao mesmo tempo mantendo a moeda estável e os pagamentos internacionais equilibrados. O banco reiterou que vai avançar na negociação direta do yuan e outras moedas estrangeiras.

O PBoC também incentivou as empresas financeiras a emitir títulos e participar de programa piloto de securitização de crédito para expandir os canais de financiamento. / Agências Internacionais

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