Governo quer manter tendência de queda do juro, diz Meirelles

Indagado por um investidor durante um café da manhã promovido pela Câmara de Comércio Brasil-EUA se a queda forte da inflação corrente fará com que o Banco Central reduza a Taxa Selic para um nível bem mais baixo, na casa de 11%, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, respondeu que tradicionalmente não antecipa decisões de política monetária, mas disse que, se forem tomados como exemplo os últimos dez anos, é muito claro o padrão de tendência declinante das taxas de juros reais. "O único comentário que vou fazer sobre o futuro é que nós, como se espera de todo o Banco Central, temos como objetivo manter um padrão de tendência de taxa de juros reais declinante. Queremos ter certeza que no ano que vem e no ano seguinte e nos outros anos nós poderemos ver taxas reais de juros declinantes", afirmou Câmbio O presidente do BC também foi perguntado por outro investidor se o BC estava confortável com a taxa de câmbio. Ele respondeu que o BC trabalha com regime de meta de inflação e não tem uma meta para o câmbio, o qual, segundo ele, é determinado pelo mercado. Meirelles lembrou que, quando anunciou o programa para aumento de reservas, não era intenção do BC controlar ou influenciar a tendência da taxa de câmbio. "Os nossos objetivos ao aumentar as reservas não são de fixar uma taxa de câmbio ou uma tendência para o câmbio. Por que? Porque esta é a tendência que prevalece em todos os bancos centrais", afirmou. Ele disse que cabe ao mercado corrigir eventuais desequilíbrios e que o BC pretende apenas reduzir a volatilidade desnecessária em determinados períodos. Atividade econômica Na sua palestra a analistas e investidores, Meirelles, destacou o ritmo da atividade econômica no Brasil, que já registra oito trimestres consecutivos de crescimento. Ele não quis, porém, entrar em detalhes sobre a expectativa de crescimento para este terceiro trimestre ou fazer qualquer projeção. O presidente do BC observou que o próprio relatório de inflação conterá as projeções de crescimento em 2005 e será publicado ainda em setembro. Na palestra, Meirelles citou vários dados sobre o comportamento dos salários reais, da produção industrial e das vendas do varejo e lembrou que, após oito trimestres consecutivos, o País já está próximo de bater o recorde de expansões consecutivas.

Agencia Estado,

26 Setembro 2005 | 11h45

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