Governo quer nacionalização de 70% em usina nuclear

O governo federal quer garantir um índice de nacionalização de 70% nas usinas nucleares que devem ser construídas no País, de acordo com previsão do Plano Decenal do Ministério de Minas e Energia (MME) para até 2030. A informação foi dada hoje pelo coordenador da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), José Mauro Esteves dos Santos, em apresentação no Seminário Internacional "Energia Nuclear como Alternativa Sustentável", que acontece hoje e amanhã no Rio.Segundo ele, para alcançar este índice, o governo estuda reduzir a potência dos reatores previstos para as seis usinas planejadas, de 1.000 megawatts (MW) para 500 MW. "Acreditamos que uma potência menor poderá facilitar a nacionalização", afirmou.De acordo com Santos, a idéia é que a maior parte das seis usinas seja instalada no Nordeste, por ser uma "área carente de energia e que não possui gás natural para abastecer novas usinas térmicas". Pelo menos duas delas, no entanto, deverão ser instaladas na Região Sudeste, para complementação da oferta. "Acompanhando a curva de demanda, percebemos que o Brasil utiliza anualmente de 5% a 15% de energia complementar à hídrica. A opção por uso do gás, do carvão ou do urânio é variável, de acordo com o custo de cada combustível. Mas temos percebido que a nuclear tem comparecido com 5% todos os anos", afirmou, defendendo este tipo de energia como alternativa viável ao País.Como principais argumentos favoráveis à energia nuclear, ele apontou o fato de que o Brasil, juntamente com os Estados Unidos e Rússia, serem os únicos países no mundo a deter a tecnologia completa do enriquecimento de urânio e geração da energia, além de terem reservas estratégicas. Segundo dados da Abin, o país possui hoje a sexta reserva mundial de urânio, com 309 mil toneladas, mas já tem perspectivas de comprovar outras 800 mil toneladas, o que o elevaria para a primeira posição no ranking. "E nós apenas prospectamos apenas 30% do território nacional, o que é um indicativo de que podemos ser muito mais", disse.Santos ainda destacou o fato de que a energia nuclear, que ainda é vista com ressalvas no mundo todo, ter como principal combustível o urânio que, diferentemente do petróleo, "não está concentrado geograficamente naquela elipse estratégica com problemas geopolíticos do Oriente Médio". "Isso deve facilitar a expansão de seu uso no mundo nas próximas décadas, e o Brasil deverá ser um agente importante neste cenário", considerou.

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