"Governo quer o dinheiro da Previ", diz diretor

O diretor de Seguridade da Previ, Henrique Pizzolato, reagiu violentamente às declarações do ministro interino da Previdência, José Cechin, que sinalizou a possibilidade de intervir no fundo de pensão por motivo de descumprimento da lei. "O que o governo quer é meter a mão no dinheiro da Previ", afirmou. Irritado, Pizzolato disse que o governo está desesperado com fato de não mais poder utilizar o dinheiro do fundo para seu benefício e, por isso, está usando todas as armas que tem para ganhar espaço e voltar a ter mais acesso à administração da Previ. "Eles estão desesperados porque essa é a primeira eleição presidencial em que o dinheiro dos fundos de pensão não está disponível", comentou. Pizzolato lembrou que, em 1997, o governo fez um acordo com a Previ em que utilizaria um superávit de cerca de R$ 6 bilhões e, em contrapartida, daria aos associados o direito de participar da gestão. O acordo foi aprovado pelo próprio Ministério da Previdência e entrou em vigor em 24 de dezembro de 1997. A partir daí, o diretor argumenta que a gestão do fundo passou a ser mais profissional e o governo perdeu espaço para manobrar o dinheiro da Previ. O executivo disse também que o governo vai usar a mídia e o Congresso para conseguir "botar a mão novamente no dinheiro do fundo". Ele acredita que toda essa discussão em torno da Previ tem como pano de fundo uma briga política e que "é preciso tomar cuidado para que o governo não meta a mão no trabalhador como já fez com o FGTS, o PIS e o FAT". "Se eles vierem com truculência vamos nos defender", afirmou. Segundo o diretor, existem cerca de 40 negócios feitos pela Previ antes de 1997, data em que os associados passaram a participar da gestão da fundação, "que são um "verdadeiro escândalo". Pizzolato lembrou do investimento de cerca de US$ 230 milhões feito no projeto Sauípe, que foi aprovado no menor prazo de avaliação já feito pelo fundo e apenas 11 dias antes da entrada em vigor do novo modelo de administração. Cechin mostrou descontentamento com a situação da Previ. "A situação não pode permanecer como está", disse o ministro, em entrevista realizada logo após a abertura de seminário sobre a nova legislação de previdência complementar, promovido hoje em Brasília. Ele afirmou que o ministério da Previdência está acompanhando atentamente a Previ e acredita que a situação configura claramente o descumprimento da lei complementar 108, que estabelece a revisão do estatuto do Fundo e o voto de Minerva para o representante da patrocinadora no conselho deliberativo. A lei também dá prazo de até 31 de maio para que os fundos façam os justes necessários no estatuto e convoquem novas eleições para o seu corpo de dirigentes. "Não estamos vendo o Fundo caminhar nesta direção. Queremos ver este movimento. Há uma situação de risco grande de descumprimento da lei", disse o ministro, admitindo que o descumprimento da lei é motivo de intervenção no fundo. Ele, porém, não quis adiantar esta possibilidade. "Intervenção não se anuncia previamente", afirmou Cechin, deixando claro, no entanto, que a situação tem de ser resolvida rapidamente. O ministro disse que este impasse na direção do Fundo, sem o voto de Minerva, inviabiliza decisões.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.