Governo quer reduzir preço do álcool

O Ministério da Fazenda quer que o governo coloque no mercado o álcool que possui em seu estoque para evitar a alta nos preços dos combustíveis nos postos. Essa proposta, porém, ainda não está em análise no Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool (Cima), que determina as políticas para o setor, segundo informou o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes.De acordo com o diretor do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), Alísio Mendes Vaz, algumas distribuidoras pretendiam reajustar, a partir de ontem, o preço do álcool hidratado entre 20% e 25% e o da gasolina - que recebe mistura de 24% do álcool anidro - de 2% a 6%. Com isso, transfeririam os aumentos dos preços do álcool nas usinas e destilarias.O álcool anidro e o álcool hidratado tiveram, nas usinas, um reajuste de cerca de 48% entre o início de junho e esta semana, como apurou o consultor Júlio Maria Borges, da Job Economia e Planejamento. O aumento foi justificado pela quebra da safra de cana, em função da longa estiagem no primeiro semestre.Borges destacou, entretanto, que desde a semana passada os preços do álcool ao produtor se estabilizaram. Segundo ele, já existe a percepção, entre os usineiros, de que os preços estão próximos do teto máximo de R$ 1,60 para o litro da gasolina e de R$ 1,20 para o álcool hidratado na revenda em São Paulo. Além disso, a safra nordestina deverá começar no próximo mês, reforçando a oferta.Fontes do setor sucroalcooleiro afirmam que os aumentos respondem a um descompasso entre a oferta e a demanda, em um mercado livre, e que cabe ao governo regular os preços. Cima estuda reduzir mistura de álcool na gasolina Segundo Pratini, há várias medidas em estudo, entre elas o leilão de estoques e a importação, que serão adotadas dependendo da análise que o governo fizer da situação. Por enquanto, a única proposta que o Cima está examinado é a redução de 24% para 22% na mistura de álcool anidro à gasolina, como forma de aumentar a disponibilidade de álcool. Esta redução de dois pontos porcentuais, segundo ele, traria uma economia de 450 milhões a 480 milhões de litros do produto.Técnicos da área econômica acham, porém, que essa medida não teria um efeito tão rápido sobre o preço quanto o leilão. O ministro descartou, por enquanto, a oferta de álcool em leilões, como fez de dezembro do ano passado até março deste ano, período em que foram oferecidos 420 milhões de litros do produto para forçar a baixa dos preços do álcool. Atualmente, o estoque é de cerca de 800 milhões de litros do álcool hidratado, que não serve para ser misturado à gasolina. O consumo do País é de cerca de 1 bilhão de litros ao mês.

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