Governo quer setor automotivo investindo

Ideia é pressionar as empresas para que invistam em tecnologias para melhorar a eficiência dos motores

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2011 | 03h08

O governo quer incluir as montadoras na política estratégica que está sendo traçada para o etanol. Por ser um setor altamente incentivado com políticas tributárias, as empresas devem ser pressionadas para melhorar a eficiência dos motores, para que o etanol passe a ser um combustível mais economicamente viável na relação com o preço da gasolina.

A medida deve ser adotada no médio prazo porque as discussões estão ocorrendo dentro da definição de um novo regime automotivo brasileiro.

O governo tem até o final de 2012, quando terminam as regras atuais, para anunciar o novo modelo.

Comparação. Abastecer o carro com etanol só compensa economicamente se o preço for de até 70% do valor da gasolina. Por isso, na visão de técnicos do governo, melhorar a eficiência do motor pode diminuir a diferença competitiva entre os dois combustíveis.

O governo tentou incluir a medida no regime automotivo anunciado em julho, mas houve resistência das montadoras. Em troca, as empresas teriam redução de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

Os dirigentes do setor automotivo alegam que as alterações nas tecnologias dos motores trariam um aumento de custo para as empresas.

"Qualquer mudança tecnológica implica em aumento de custo, mas nós entendemos que caso o setor seja incentivado, seja beneficiado, contrapartidas são necessárias. E as contrapartidas em termos de avanços na tecnologia da empresa, no conforto do veículo e na eficiência dos motores são contrapartidas importantes", afirmou a secretária de Desenvolvimento da Produção, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Heloísa Menezes.

Na visão também de técnicos dos Ministérios da Fazenda e da Agricultura, sem a melhoria nos motores para dar mais eficiência ao etanol, as usinas terão mais resistência em fazer novos investimentos para a produção do combustível.

Heloisa destaca também que o ganho de eficiência dos motores não só ajuda na política que está sendo desenvolvida para o etanol, como reflete também na política de controle de emissões de gases e mudança do clima. / R.V.,C.F. e A.F.

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