Governo quer teto para juro no crédito consignado

O governo vai propor nesta quarta-feira aos bancos a definição de um teto e, conseqüentemente, a redução das taxas de juros cobradas nos empréstimos a aposentados realizados por meio do chamado crédito consignado, onde as parcelas são descontadas diretamente do benefício pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Na terça-feira, os ministros da Previdência, Nelson Machado, e do Trabalho, Luiz Marinho, discutiram as alternativas com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. "Queremos discutir com as instituições uma redução na taxa de juros porque achamos que está havendo abusos na prática de spread (a taxa de risco que as instituições incorporam ao custo do empréstimo)", afirmou Marinho. O ministro Nelson Machado disse que, apesar de assunto estar em pauta na reunião de hoje com os bancos, uma decisão efetiva só deverá ser oficializada na próxima semana, na reunião do Conselho Nacional de Previdência Social, prevista para ocorrer no dia 31. BB resisteA atuação do governo é uma resposta às reivindicações feitas pelas centrais sindicais na semana passada. Os sindicalistas reclamaram que as taxas aplicadas tornaram-se abusivas. De dezembro de 2005 a março deste ano, o porcentual foi elevado em 0,7% ao ano, enquanto a taxa básica de juros da economia, a Selic, apresentou movimento de queda. Ao ano, as taxas de juros variam de 36% a 59%.Uma eventual redução dos juros no crédito consignado, no entanto, pode encontrar resistências dentro dos próprios bancos do governo. O presidente do Banco do Brasil, Rossano Maranhão, que também esteve reunido com Mantega, disse não ver necessidade de redução dos juros do consignado oferecido pela instituição. "Já temos as taxas mais baixas do mercado", afirmou, após dizer que a definição da taxa de juros é uma decisão "técnica". Segundo ele, as taxas cobradas de aposentados e pensionistas no crédito consignado cobradas pelo BB variam de 1,5% a 2,6% ao mês.

Agencia Estado,

24 de maio de 2006 | 01h44

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