Denis Balibouse/Reuters - 21/4/2017
Denis Balibouse/Reuters - 21/4/2017

Governo quer usar críticas da OMC a seu favor

Avaliação é de que relatório da organicação pode servir como instrumento para fortalecer as reformas e ajudar a desenvolver uma nova orientação comercial

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S.Paulo

20 Julho 2017 | 05h00

GENEBRA - O governo de Michel Temer decidiu usar as críticas da Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a política industrial do País como instrumento para fortalecer as reformas e uma nova orientação comercial, blindando-as de eventuais críticas internas. Nos bastidores, o Estado apurou com diversas fontes diplomáticas que a orientação foi a de não tentar derrubar o conteúdo do texto da entidade, que fugiu de seus padrões de neutralidade e cautela ao falar de um dos membros da instituição.

A OMC concluiu ontem sua avaliação sobre o Brasil e indicou que a política industrial a partir de 2012 havia prejudicado a competitividade do País. Depois de gastar bilhões de reais em subsídios e sacrificar a arrecadação de renda, a estratégia não trouxe efeito positivo na indústria, criou uma dependência do setor produtivo aos subsídios e fez o Brasil perder espaço internacional. A OMC constatou ainda que o mercado nacional era ainda fechado.

Fontes que estiveram envolvidas nos debates sobre o informe durante nove meses revelaram ao Estado que, quando a primeira versão do documento ficou pronta, a missão do Brasil em Genebra ensaiou uma resistência e questionou uma série de pontos apresentados.

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Mas, em Brasília, a orientação foi outra. Quando o tema passou a ser debatido pela cúpula do Itamaraty, a análise foi de que as críticas feitas pela OMC poderiam, de fato, ajudar a abandonar parte das políticas industriais e comerciais que foram adotadas no Brasil durante o governo de Dilma Rousseff.

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