Bastidor: Governo quis evitar barulho com rombo nas contas

Foi tudo combinado. A equipe econômica não quis anunciar o rombo nas contas públicas e coube ao relator do projeto que altera a meta fiscal de 2015, deputado Hugo Leal (Pros-RJ), antecipar o déficit primário de R$ 51,8 bilhões previsto para as contas da presidente Dilma Rousseff no primeiro ano do seu segundo mandato. A estratégia foi evitar "bater bumbo" em torno do déficit com uma entrevista formal. O valor do rombo foi definido às 23 horas da segunda-feira.

João Villaverde e Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2015 | 02h02

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, defendia o anúncio de um déficit menor e sai mais uma vez desgastado das negociações em torno da mudança da meta. Se houver a frustração de receitas com a concessão de hidrelétricas no valor de R$ 11,1 bilhões, o déficit primário vai a R$ 62,9 bilhões - valor bem acima do que estava sendo esperado.

O relator do projeto de alteração da meta, Hugo Leal, foi informado dos novos números pelo ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, no início da tarde. O encontro entre Barbosa e o deputado ficou acertado na segunda-feira, após a última reunião da junta orçamentária (composta por Levy, Barbosa e o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner) com a presidente Dilma. Logo após o encontro com Barbosa, o deputado revelou os números na portaria do Planejamento. E só depois Fazenda e Planejamento divulgaram uma nota técnica, sem explicações.

O governo precisa que a nova meta fiscal - seja aprovada pelo Congresso antes de 22 de novembro, quando terá de editar novo relatório de avaliação de despesas e receitas. Caso contrário, o governo será obrigado a realizar um corte forte das despesas, uma vez que a meta fiscal continuará sendo a de 1,1% do PIB, que, oficialmente, continua em vigor. Um dos pontos atacados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) na gestão orçamentária de 2014 foi justamente a decisão do governo de realizar cortes ou liberações de despesas federais baseados em projetos que ainda estavam em tramitação no Congresso, e não baseados na meta oficialmente vigente.

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