Governo reavaliará projeção de crescimento do PIB, diz Appy

O governo vai reavaliar a projeção de crescimento do PIB para este ano, disse nesta segunda-feira o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Bernard Appy. "O governo tem de fazer isso para a reavaliação de despesas e receitas federais que tem de mandar para o Congresso", disse Appy. De acordo com ele, a atualização da projeção será feita nos próximos dias. Appy afirmou, no entanto, que "o crescimento de 4% ainda é possível". De acordo com ele, a tendência do desempenho da economia a partir do terceiro trimestre é de crescimento, com base em indicadores antecedentes. "Vamos esperar para ver com tranqüilidade os números", disse. Appy frisou que, mais importante que o número, é a tendência de crescimento sustentado. Ele admitiu que o Brasil crescerá menos que outros países emergentes. Afirmou, porém, que "o processo de estabilização do Brasil é diferente de outros países em desenvolvimento, com menos crises". Appy abriu nesta segunda o seminário comemorativo dos 30 anos da Comissão de Valores Mobiliários. CVMEle classificou como exemplar a atuação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no episódio que causou o afastamento temporário do diretor da autarquia, Sérgio Weguelin. Na semana passada, Weguelin revelou que trocou mensagens com um investidor estrangeiro sobre o processo de reestruturação da Telemar, um dia antes de a CVM divulgar um parecer de orientação que mudou o rumo da operação com os papéis da operadora."A conduta da CVM nesse episódio foi exemplar, operando com absoluta transparência. Abriu inquérito para investigar o motivo daquele comportamento atípico do mercado", disse. Appy lembrou que uma corretora (Hedging Griffo) já confirmou que foi responsável por boa parte das operações no dia que antecedeu a divulgação do parecer. "Isso não exclui a necessidade de todo o processo de investigação ser feito e levado a cabo.", afirmou. Appy não descarta uma possível volta do diretor Sérgio Weguelin, afastado temporariamente do colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Segundo ele, Weguelin atuou "de forma exemplar" ao tornar público o fato de ter trocado mensagens com um investidor estrangeiro sobre o processo de reestruturação da Telemar. Além disso, pediu seu afastamento para não interferir nas investigações do caso."Claramente existe a possibilidade dele retornar à instituição", disse. "Eu não o conheço bem (Weguelin), mas o conheço um pouco, e o pouco que conheço me pareceu uma pessoa absolutamente correta e que jamais teria qualquer atitude que desrespeitasse as regras da CVM." Appy lembrou que o Ministério da Fazenda fará uma investigação sobre a atuação de Weguelin no episódio e só depois disso será possível avaliar a volta ou não do diretor ao órgão.ApoiosO presidente da Associação Nacional de Bancos de Investimento (Anbid), Alfredo Setubal, também vice-presidente do Itaú, disse que o episódio, que traz indício de suspeita de vazamento de informação, "provavelmente arranha alguma coisa (a imagem da CVM), mas muito pouco. Nada que denigra a CVM ou seu presidente (Marcelo Trindade)". Setubal reconheceu que o que aconteceu foi ruim, "mas pelo que vi, a postura da CVM ao tratar do assunto foi correta, firme, rápida e transparente". "Pessoalmente, não acredito em nenhuma má-fé por parte do diretor Weguelin", disse. E arriscou que, ao final, o processo, que na sua opinião levará meses, deve concluir pela inocência do executivo.Ex-presidente da CVM, Luiz Leonardo Cantidiano garantiu acreditar "plenamente" na seriedade de Weguelin. "A prova dessa seriedade é ele ter declarado o que fez. Ninguém sabia disso. Em depois, ter-se afastado", disse. Para ele, "a troca de e-mails foi talvez algo que não devesse ter ocorrido, mas Weguelin fez isso na melhor das intenções, na posição de quem quer explicar ao investidor o que está acontecendo". O presidente da Bovespa, Raymundo Magliano Filho destacou a "visibilidade e transparência" com as quais o caso está sendo tratado. "Acreditamos muito na competência e seriedade de Weguelin", afirmou. O presidente da BM&F, Manoel Félix Cintra Neto, lamentou a suspeita. "É uma pena isso ter ocorrido logo em uma gestão caracterizada pela transparência" disse, acrescentando que a decisão de Weguelin de se afastar da autarquia durante as investigações foi "honrada". "O mercado, de maneira geral, tem confiança absoluta na CVM", concluiu. Matéria alterada às 18h30 para acréscimo de informações

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