Andressa Anholete/AFP
Andressa Anholete/AFP

Governo rebate associação e diz que rombo na seguridade é de R$ 243 bi

Vídeo que circula nas redes socias sugere que números oficiais da Previdência são maquiados

Idiana Tomazelli, Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2016 | 21h59

BRASÍLIA - Em campanha pela aprovação da reforma da Previdência, que vai endurecer as regras de aposentadoria no Brasil, o governo federal convocou uma entrevista coletiva para rebater um vídeo que circula nas redes sociais dizendo que o déficit na área é uma “mentira”. A campanha virtual prega que os trabalhadores não aceitem as novas regras, uma vez que a União estaria maquiando as estatísticas da Seguridade Social, beneficiando empresas com desonerações e usando receitas previdenciárias para pagar a dívida pública.

O vídeo, divulgado pela Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita (Anfip), já teve mais de 1,3 milhão de visualizações e 61 mil compartilhamentos. Diante da repercussão, o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, teve a missão de esclarecer ponto a ponto os argumentos apresentados pela entidade contra a reforma.

“Circulam nas redes sociais informações equivocadas de que não há déficit na Previdência”, disse o ministro, munido de estatísticas para ilustrar suas afirmações e cercado por secretários e assessores que atuam em áreas relacionadas a Orçamento e Assistência Social na pasta. Ele afirma que o rombo na Seguridade Social (que inclui Previdência, assistência e saúde) chega a R$ 243,2 bilhões em 12 meses até outubro.

O déficit, segundo Oliveira, é fruto do crescimento nas despesas, principalmente de 2012 para cá. “Quanto mais gastarmos com Previdência, menos vai sobrar para as demais áreas”, afirmou Oliveira.

O vídeo da Anfip argumenta que o governo não contabiliza receitas como Cofins, PIS/Pasep e a Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) e que a Desvinculação de Receitas da União (DRU), que na prática permite a utilização de uma parcela de recursos destinados a uma área para o pagamento de despesas de outra, contribui para o déficit. Por fim, a associação também aponta perdas por benefícios fiscais concedidos a empresas.

Com planilha detalhada, o ministro buscou provar que os tributos entram sim na conta das receitas. Ele também argumenta, com gráficos, que mesmo sem a DRU, haveria rombo nas contas. Sobre os benefícios fiscais, pelos quais o governo deixará de arrecadar R$ 55 bilhões este ano para a Previdência, o ministro disse que o cancelamento desses subsídios acabaria onerando outras áreas, uma vez que essas organizações atuam fortemente na saúde e na educação.

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