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Governo reduz imposto e diz ter mais arsenal anticrise

O governo anunciou nesta quinta-feira cortes de impostos de 8,4 bilhões de reais para as pessoas físicas e para a indústria automotiva em um esforço para estimular a economia diante da crise global. Em uma segunda frente, o governo disse ainda que regulamentará autorização para que o Banco Central amplie o leque de empresas que poderão receber financiamentos com recursos das reservas internacionais. O impacto da medida será "acima de 10 bilhões de dólares", segundo o BC. De acordo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o pequeno pacote tem como objetivo estimular o consumo e a produção e assegurar a oferta de crédito --mas não encerra o arsenal anticrise do governo. "Certamente novas medidas serão tomadas para responder a outras questões", afirmou Mantega em entrevista à imprensa. Ele reafirmou que o governo pretende perseguir, em conjunto com o setor privado, meta de crescimento de 4 por cento em 2009 e tomará as medidas necessárias para isso. As reduções de tributos desta quinta-feira foram feitas no Imposto de Renda da Pessoa Física --que ganhou duas novas faixas de contribuição--, no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) cobrado da pessoa física no momento de contratação de empréstimos e no Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) incidente sobre automóveis. A desoneração para os carros não foi formalmente vinculada a um compromisso de manutenção de empregos, conforme reivindicação de sindicalistas, mas o ministro Miguel Jorge (Desenvolvimento) afirmou que as empresas teriam prometido tentar evitar corte de pessoal. "As montadoras assumiram o compromisso firme de transferir para o consumidor essas reduções de impostos", afirmou Miguel Jorge a jornalistas. "Não discutimos garantia de emprego, mas as empresas disseram que farão todo o esforço para manter o nível de emprego." O BC foi autorizado a emprestar recursos das reservas a bancos que ofereçam crédito a empresas nacionais que possuam financiamento externo. O Conselho Monetário Nacional ainda precisa definir as regras dessa modalidade de empréstimo. A medida, segundo o presidente do BC, Henrique Meirelles, tem como objetivo diminuir a demanda sobre o mercado de crédito doméstico e reduzir a pressão sobre o câmbio. "Deixa-se de pressionar o mercado de crédito em reais e aumenta-se a disponibilidade de dólares no mercado brasileiro", afirmou Meirelles a jornalistas. REUNIÃO O Produto Interno Bruto brasileiro cresceu bem mais do que o esperado no terceiro trimestre do ano, mas desde outubro a economia real já deu sinais claros de ter sido atingida pela crise global. Alguns economistas já apostam em retração da atividade no último trimestre. Nesta manhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se com a equipe econômica e cerca de 30 empresários para discutir a situação da economia. No encontro, realizado antes do anúncio do pacote fiscal, foi proposto pelo governo a criação de comissões para discutir problemas específicos enfrentados por setores da produção em meio à crise, e possíveis soluções. "Saímos daqui muito mais otimistas do que entramos, na medida em que fica clara a mensagem do governo no sentido de que vai tomar todo o tipo de ação necessária para a retomada da energia econômica dos setores mais afetados pela retração", afirmou Jackson Schneider, presidente da Anfavea, associação das montadoras de veículos, ao deixar o Palácio do Planalto. (Com reportagem adicional de Fernando Exman)

ISABEL VERSIANI, REUTERS

11 de dezembro de 2008 | 20h00

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