Governo reduz para 0,5% previsão de alta do PIB em 2017

Governo reduz para 0,5% previsão de alta do PIB em 2017

Número fica próximo do que projeta o mercado financeiro; estimativa para inflação recuou para 4,3%

Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2017 | 13h57

O Ministério da Fazenda divulgou nesta quarta-feira, 22, uma nova revisão da estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2017, de 1% para 0,50%. No último Boletim Focus divulgado pelo Banco Central, as projeções de mercado apontam para uma alta de 0,48% no PIB de 2017. Para 2018, a Fazenda prevê expansão do PIB de 2,5% 

Segundo o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Fabio Kanczuk, a redução de 1% para 0,5% da projeção da equipe econômica para a alta do PIB para este ano tem algum efeito da política monetária - com a redução da inflação e a queda nos juros -, mas o efeito principal da crise está no crédito. “Crise começou com confiança e passou para o crédito. Temos olhado com detalhe o crédito com dados do Banco Central, mas esses dados têm algum atraso. Variável que temos olhado com mais atenção é a alavancagem”, completou.

Kanczuk destacou especialmente o endividamento das empresas, que cresceu a partir de 2011 e começou a cair em 2015. “Também está havendo uma desalavancagem do endividamento das famílias, mas em um processo mais suave”, acrescentou.

Em 21 de novembro do ano passado, o secretário já havia anunciado que a previsão da equipe econômica para o crescimento tinha sido rebaixada de 1,6% para 1%. Mas a mudança não foi feita na Lei Orçamentária Anual (LOA) deste ano e, na ocasião, Kanczuk não fez previsões sobre o impacto da a alteração sobre as receitas de 2017.

Inicialmente, a proposta de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2017 trazia uma projeção de PIB de 1,2%. Em meados de agosto, às vésperas do envio do Orçamento ao Congresso, a equipe econômica anunciou a elevação dessa projeção para 1,6%, com o argumento de que o próprio mercado estava melhorando suas avaliações.

O corte no Orçamento que será anunciado nesta quarta-feira, 22, no Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias já irá considerar a nova estimativa de PIB. Como a LOA deste ano foi aprovada com base em um PIB de 1,6%, a diferença que impactará o contingenciamento é de 1,1 ponto porcentual.

A Fazenda também atualizou outras projeções para a economia em 2017. A estimativa oficial para o IPCA em 2017 passou de 4,7% para 4,3%. Já a previsão para o câmbio ao fim desde ano passou de R$ 3,6 para R$ 3,3. Para 2018, a Fazenda prevê IPCA de 4,5% e câmbio no fim do ano de R$ 3,4. 

1º trimestre.  O secretário afirmou que há um alto grau de confiança de que a economia crescerá 0,49% no primeiro trimestre deste ano em relação ao quarto trimestre do ano passado.

“O ministro Henrique Meirelles tem repetido e estamos 100% alinhados com os indicadores antecedentes da economia que está com uma cara muito boa. Quando falamos em novembro do ano passado que o 1º trimestre de 2017 seria positivo, muita gente questionou, mas agora o questionamento é muito menor e muita gente entende que será positivo”, afirmou.

Confrontado com as afirmações de Meirelles de que a economia poderia crescer mais de 3% em 2018, Kanczuk afirmou que o cenário de 2,5% divulgado nesta quarta é consistente com a fala do ministro. “As projeções estão caminhando para crescimento acima de 3% como citado pelo ministro”, alegou.

Um dos fatores que podem aumentar esse resultado, destacou, é a reforma microeconômica para melhorar ambiente de negócios. “Isso pode elevar PIB potencial do Brasil em 0,7 ponto porcentual. Além disso, com a PEC do Teto, a despesa federal vai cair para 15% ou 16% do PIB em dez anos. Com maior participação privada na economia, PIB potencial pode aumentar 0,7 p.p.”, explicou.

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