Governo reduz vencimentos de títulos para o início do próximo mandato

O próximo presidente poderá assumiro cargo em meio a uma tempestade de desconfiança e, mesmo assim,não terá grandes dificuldades para manter a rolagem da dívidapública. "A estratégia foi criar ´buracos´ nos vencimentos dadívida no fim deste ano e no início do ano que vem paraenfrentar momentos de mais volatilidade", disse hoje (17) ocoordenador da Dívida Pública, Paulo Valle. Em um mês "normal", os vencimentos da dívida públicaficam entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões a cada mês. Essenúmero varia. Em 1997, por exemplo, em meio à crise asiática, ototal bateu na casa dos R$ 70 bilhões. Em julho, o vencimentoserá de R$ 18,9 bilhões. No entanto, já antecipando que asincertezas do mercado no período de transição poderiam criardificuldades para a emissão de papéis, os administradores dadívida pública tiveram o cuidado de não emitir muitos títulospara vencer em janeiro, fevereiro e março de 2003. Para essesmeses, os vencimentos programados são de R$ 6,4 bilhões, R$ 7,9bilhões e R$ 11,2 bilhões, respectivamente. A idéia é que o novo ministro da Fazenda aproveite essesmeses de baixo vencimento para emitir títulos acima donecessário para a rolagem da dívida e, dessa forma, criar umareserva de recursos para os meses seguintes. Já em abril, estãoprogramados vencimentos de R$ 32,4 bilhões que são, na avaliaçãode Valle, um retorno ao padrão de vencimentos do Tesouro. Abrilé, ao menos, um mês em que a arrecadação é engordada pelopagamento da primeira cota do Imposto de Renda, tanto por partedas empresas quanto das pessoas físicas. Paulo Valle explicou que esse perfil de vencimentos jávem sendo montado há alguns meses e existem outros meses debaixo vencimento que poderão passar por ajustes. O cronograma devencimentos da dívida pública divulgado hoje mostra que há outrafolga nos meses imediatamente anteriores à eleição. Vencempapéis no total de R$ 15,8 bilhões em agosto e R$ 11,1 bilhõesem setembro.

Agencia Estado,

17 de julho de 2002 | 16h19

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