Governo reforça BNDES e Caixa

De olho no aumento da oferta de crédito, governo injeta R$ 4,5 bilhões no BNDES e R$ 2,5 bilhões na Caixa com ações da Petrobrás

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2010 | 00h00

Faltando cinco meses para o fim do mandato do presidente Lula e às vésperas da capitalização da Petrobrás, o governo turbinou ainda mais o capital da Caixa Econômica Federal e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de olho na ampliação da oferta de crédito no primeiro ano de governo do próximo presidente.

O Tesouro Nacional vai transferir aos dois bancos federais 217,39 milhões de ações ON da Petrobrás (que excedem ao controle da União na estatal). Sem precisar injetar nenhum dinheiro novo na operação, o aumento de capital do BNDES será de R$ 4,5 bilhões e da Caixa de R$ 2,5 bilhões. O aporte permite aumentar em cerca de R$ 100 bilhões a capacidade de novos empréstimos dessas instituições.

A decisão do governo de capitalizar a Caixa e o BNDES cria as condições para que os dois bancos públicos se mantenham à frente no financiamento do consumo e do desenvolvimento econômico, mantendo a estratégia adotada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tirar o País da crise, em 2009.

Com a capitalização, a Caixa ganhou gás adicional para aumentar em R$ 50 bilhões os empréstimos e já projeta dobrar a sua carteira de crédito nos próximos anos para R$ 300 bilhões. A carteira tem hoje R$ 153 bilhões e o banco projeta fechar o ano em R$ 180 bilhões, com crescimento de 47% sobre o ano passado. Mesmo sem essa nova operação de capitalização, a Caixa ainda tinha margem de capital para emprestar mais R$ 100 bilhões, que agora sobe para R$ 150 bilhões.

As duas operações consolidam um modelo adotado pela área econômica de capitalização das estatais por meio de trocas de ativos. O Banco do Brasil, a Caixa e o próprio BNDES já foram beneficiados recentemente com operações semelhantes. Em abril, o governo aumentou o capital do BNDES em R$ 2,7 bilhões, o que permitiu ampliar em R$ 35 bilhões a capacidade de empréstimo do banco.

Petrobrás. Para o economista-chefe do banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, o aumento de capital do BNDES e da Caixa não tem relação com a capitalização da Petrobrás. "São ações da Petrobrás, que valem dinheiro, que estão com o Tesouro e vão para os bancos. Ele injeta dinheiro sem impactar as contas públicas. A questão é saber se isso é legítimo, por que estão fazendo isso agora e quais os riscos da operação", diz o economista. / COLABOROU LU AIKO OTTA

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