Governo reforça reservas com captação de US$ 1,25 bilhão

Em vez de intensificar as compras de dólares no mercado interno, o que contribuiria para elevar a taxa de câmbio, o governo brasileiro optou por reforçar em US$ 1,25 bilhão as reservas internacionais do País, uma espécie de poupança pública, captando recursos no exterior com a venda de títulos da República que vencerão apenas daqui a 20 anos, em 2025. Essa foi a segunda emissão de papéis do Brasil no mercado internacional este ano e, como nesse caso, o dinheiro vai direto para as reservas que ficam aplicadas fora do País, não há interferência na formação da taxa de câmbio. Nesta segunda-feira, a cotação do real frente ao dólar fechou a R$ 2,61, o nível mais baixo desde junho de 2002.Apesar de ter encerrado a operação no final da tarde, o Tesouro, no entanto, divulgou apenas a taxa de retorno que foi de 8,9% ao ano. As demais informações sobre custo total para o governo brasileiro, valor adicional que será pago em relação aos títulos americanos de mesmo prazo ou mesmo a data de ingresso dos recursos nas reservas só sairão terça pela manhã. Segundo assessoria do Ministério da Fazenda, os técnicos não conseguiram terminar a "alocação" do papéis, definindo com quanto cada investidor que teve sua proposta aprovada irá ficar.Os recursos dessa operação servirão para suprir as necessidades do governo que terá que pagar ao longo de 2005 US$ 6 bilhões de dívida externa. Isso evitará que as reservas - um indicador importante constantemente analisado pelas agências de classificação de risco para definir as notas atribuídas aos países - caiam em função dos pagamentos. O reforço dessa poupança pública se torna ainda mais importante nesse momento porque o governo está às vésperas de definir se seguirá ou não com o suporte financeiro do Fundo Monetário Internacional (FMI). O acordo em vigor atualmente encerra no mês vem.Do total que o governo precisará pagar este ano, US$ 1,5 bilhão já estava assegurado no caixa e foi captado ainda em 2004. Outros 500 milhões de euros (cerca de US$ 650 milhões) foram obtidos na primeira operação de emissão de títulos deste ano, há cerca de 10 dias. Com o lançamento desta segunda, restam US$ 2,6 bilhões para serem captados até dezembro. Caso contrário, o dinheiro para quitar os pagamentos deverá sair das reservas internacionais.A idéia do governo brasileiro é aproveitar o cenário internacional favorável do início de ano e, também, o período em que os grandes fundos de investimento e de pensão estão definindo os países em que aplicarão seus recursos para se mostrar como uma alternativa atrativa. Segundo fontes ligadas à operação, a emissão brasileira despertou grande interesse dos investidores e fez com que a demanda beirasse os US$ 4 bilhões. Por conta disso, o governo decidiu, inclusive, elevar a quantidade de títulos que estava prevista inicialmente e fechou a emissão com US$ 250 milhões a mais.Apesar da insistência de alguns analistas e representantes do próprio governo para que o BC efetue compras mais fortes de dólares no mercado para aumentar as reservas e, ao mesmo tempo, desvalorizar o real, estimulando as exportação, a opção por uma operação externa reforça também a preocupação da equipe econômica com a inflação. A desvalorização do real seria mais um fator de pressão sobre os preços, comprometendo ainda mais a trajetória da meta de 5,1% estipulada para o ano.

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