Governo resgatou US$ 10,3 bi em títulos cambiais no trimestre

O governo resgatou no primeiro trimestre deste ano US$ 10,3 bilhões em títulos cambiais e contratos de swap no mercado, segundo informou hoje o chefe do Departamento de Operações do Mercado Aberto (Demab) do Banco Central, Sérgio Goldenstein. Em fevereiro, os resgates somaram US$ 4,172 bilhões e em março, US$ 2,710 bilhões. "Não houve nenhuma rolagem este ano", comentou Goldenstein. O volume de resgates de instrumentos cambiais do primeiro trimestre de 2004 é significativo, já que ele responde por mais da metade de todos os resgates feitos em 2003, que somaram US$ 19,1 bilhões. O valor também é expressivo, se comparado com o total resgatado em 2002, que foi de US$ 17,7 bilhões. Para abril, o cronograma de vencimentos do Tesouro e do BC indica um vencimento de US$ 3,810 bilhões em títulos e contratos de swap. Para maio, a previsão é de US$ 3,521 bilhões em vencimentos destes instrumentos. Ao final de fevereiro, o estoque da dívida mobiliária fechou em R$ 743,15 bilhões, sendo que 19,02% desse total correspondia aos instrumentos cambiais. Essa é a menor participação de títulos e contratos de swap no estoque da dívida mobiliária federal desde o início da série, em dezembro de 1999. Emissões prejudicadas pela volatilidade A volatilidade vivida pelo mercado financeiro no mês passado acabou gerando alguns impactos na estratégia de colocação primária de títulos do Tesouro Nacional. "Sem volatilidade, talvez tivéssemos feito uma emissão maior de títulos", ponderou o coordenador-geral de Administração da Dívida Pública do Tesouro, Paulo Valle. No mês passado, o governo acabou fazendo um resgate líquido de R$ 1,6 bilhão da dívida. Valle ressaltou, entretanto, que esse resgate é reflexo das operações de troca e compra antecipada de papéis. "Sem as trocas, teríamos fechado o mês com uma rolagem de 100% dos vencimentos", destacou. Mas mesmo considerando a volatilidade registrada, ainda assim, o Tesouro conseguiu em fevereiro elevar para 13,59% a participação de títulos prefixados no estoque total da dívida mobiliária. "Essa é a maior participação de prefixados registrada desde março de 2001", informou. Ao longo do mês passado, o Tesouro teve dois problemas na colocação de títulos. Não foram aceitas propostas na oferta de LTNs da primeira semana do mês e houve uma venda parcial, no leilão da terceira semana. "A volatilidade leva a um conservadorismo das instituições", disse Valle, tentando deixar claro que esse movimento é considerado "natural" pela mesa do Tesouro. A crise vivida pelo País em 2002 e no início de 2003 fez com que a participação dos títulos prefixados caísse a níveis muito baixos. Em abril do ano passado, por exemplo, esses papéis respondiam por apenas 1,91% do estoque da dívida há época. Agora em fevereiro, as ofertas de títulos feitas pelo Tesouro foram marcadas pela forte presença das LTNs. "A emissão de títulos, incluídas as trocas, totalizou R$ 10,3 bilhões, dos quais 78% em prefixados", disse Valle. A participação dos prefixados observada em fevereiro já supera o piso fixado pelo Tesouro no Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2004, que estabelece uma margem de variação para a participação desses títulos no estoque da dívida mobiliária de 13% a 23%. Prazo médio de emissão reduziu-se A forte participação de títulos prefixados nas ofertas públicas feitas pelo Tesouro Nacional em fevereiro acabou gerando uma redução no prazo médio de emissão de títulos do governo. De acordo com os dados divulgados esta manhã pelo Tesouro e pelo Banco Central, o prazo médio de emissão do mês de fevereiro caiu para 24,17 meses, ante 24,79 meses, registrado em janeiro. "Isso é reflexo da elevada participação de títulos prefixados, de prazos mais curtos, nas colocações do mês", comentou o coordenador-geral de Administração da Dívida Pública do Tesouro, Paulo Valle, ao lembrar que 78% dos títulos vendidos em fevereiro eram prefixados. Como sempre, as instituições nacionais foram as maiores compradoras de títulos públicos no mês passado. Do total ofertado pelo governo, 77,85% foram adquiridos pelos bancos e corretoras nacionais. As instituições internacionais só superaram as nacionais nas compras de títulos prefixados de longo prazo com pagamento de cupom semestral, as NTN-Fs. Neste caso, os bancos e corretoras estrangeiras abocanharam 87,95% dos papéis ofertados pelo Tesouro. A forte presença de títulos prefixados nas colocações de fevereiro também contribuiu para a redução do prazo médio do estoque da dívida, que caiu de 31,37 meses para 30,71 meses. Os vencimentos de curto prazo também sofreram uma elevação em fevereiro. De acordo com os dados do Tesouro e do BC, os vencimentos previstos para os próximos 12 meses representam 38,19% do estoque total da dívida mobiliária federal. Em janeiro essa parcela era de 35,68% do estoque à época. Segundo Valle, esse aumento é meramente estatístico, já que os vencimentos previstos para fevereiro e março de 2005 são superiores aos de 2004. "Quando chegarmos em abril haverá uma volta à curva declinante desses vencimentos", assegurou Valle.

Agencia Estado,

17 Março 2004 | 16h48

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