Governo se mobiliza para apaziguar BC e Petrobrás

O Banco Central errou no tom e a reação exagerada da Petrobrás acabou dando dimensão de crise a um episódio que mais se aproximou de uma grande trapalhada dos diretores do BC. Essa era a avaliação no alto escalão do governo, nesta sexta-feira, após análise da repercussão da nota da estatal rebatendo as críticas feitas à política de reajuste dos combustíveis na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada na noite da quinta-feira.Apesar dos antecedentes de fogo amigo dentro da cúpula do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi convencido de que, tentando acertar a sua comunicação com o mercado financeiro, o BC feriu a política de boa convivência dentro da esfera pública ao dar uma conotação crítica a algo que deveria ser uma mera avaliação econômica. Apesar de ter tentado minimizar as afirmações feitas pelos diretores do BC - que foram interpretadas como um interferência indevida numa área que não diz respeito à autoridade monetária - o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, não conseguiu reverter a ira do presidente da Petrobrás, José Eduardo Dutra, e evitar a divulgação da nota oficial.Com isso, a estratégia adotada pelo governo foi a de esvaziar a crise, com declarações públicas em defesa da Petrobrás. Como quem iniciou a confusão foi o BC, coube ao presidente da instituição, Henrique Meirelles, dar a mão à palmatória. Meirelles conversou logo cedo com Palocci e ficou acertado que o ministro da Fazenda não se manifestaria, para não dar mais combustível à crise. Meirelles, no entanto, faria uma mea-culpa num discurso preparado previamente, elogiou a estatal e reafirmou a total responsabilidade da empresa na condução da política de preços de combustíveis.Esta semana, as projeções coletadas pelo BC junto ao mercado apontam um IPCA de 5,89% em 2005, acima dos 5,1% estabelecidos como alvo pela autoridade monetária. E o grande culpado nessa piora é o preço do petróleo e a demora do governo em realinhar os preços dos combustíveis praticados pela Petrobras com a cotação internacional. Quanto mais tarde o reajuste ocorrer, mais ele estará comprometendo a inflação de 2005. A área econômica do governo quer que o reajuste tenha impacto maior sobre o IPCA de 2004. Assim, será mais fácil acomodar a repercussão do alta na economia dentro do teto de 8% estabelecido para inflação do ano. Já em 2005, o espaço de manobra será menor.

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