Governo segura mercados: até quando?

O governo reconhece os problemas que uma disparada do dólar pode trazer à economia e não está medindo esforços para conter a desvalorização cambial. Em quatro dias úteis, o governo realizou dez leilões cambiais de grande porte, e os resultados foram modestos, especialmente porque não dissiparam a intranqüilidade dos investidores frente às dificuldades no cenário internacional. A diferença, ontem, foram as demais medidas anunciadas. Mas a cautela ainda predomina.O estopim do entusiasmo foi a divulgação pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que as empresas de capital aberto poderão contabilizar o efeito da alta do dólar nos resultados financeiros de 2001 ao longo dos próximos quatro anos. Assim, o governo aceitará que as perdas sejam lançadas de forma a reduzir o seu lucro futuro, e, portanto, o imposto de renda a pagar. Em outras palavras, o Tesouro está dando garantias parciais do risco cambial.Na terça-feira, o governo já havia determinado a obrigatoriedade de aumento de capital das instituições financeiras a cada aumento no estoque de moeda estrangeira. Com isso, a captação de dólares fica mais cara. O governo espera, com isso, desestimular, através da elevação do custo da operação, as empresas que têm procurado a moeda norte-americana como hedge (proteção). O grande problema é que quando empresas compram dólares para ter certeza de que poderão honrar compromissos externos futuros, elas antecipam a compras de divisas, pressionando as cotações, que disparam, trazendo mais incertezas, num ciclo vicioso. Essa é a hipótese do governo, de que o real está subvalorizado por razões circunstanciais.O Banco Central também redefiniu critérios sobre o recolhimento do compulsório dos depósitos à vista. Com isso, houve uma redução do volume de recursos no mercado, o que provoca o encarecimento do crédito, e, portanto, a redução da atividade econômica. Assim, diminui a demanda de uma maneira geral, e, portanto, por produtos importados.Não se sabe se medidas foram suficientesA questão principal agora é quanto tempo durará o efeito dessas medidas. O Brasil já enfrentava dificuldades nas contas externas, mas a recessão nos Estados Unidos e a guerra iminente aceleraram repentinamente a redução de investimentos estrangeiros, tanto produtivos como especulativos. O mesmo ocorre com outros países emergentes, como Turquia e Argentina, que têm poucas opções de captação de recursos no exterior, e certamente a um custo mais elevado, sem tempo para poder esperar uma retomada das exportações.O mercado teme que, frente às enormes incertezas que o cenário externo traz, haja insolvência entre empresas e até mesmo de governos nesses países. Agências de classificação de risco já anunciaram que estudam alterar a avaliação de risco do Brasil, o que poderia levar a uma nova onda de pessimismo nos mercados. Notícias pontuais negativas a respeito da recessão norte-americana ou desdobramentos indesejáveis da guerra também podem assustar os investidores.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

28 de setembro de 2001 | 08h03

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