Governo suspende exportação de tripa e investiga acusação russa

Defesa sanitária da Rússia constatou presença de indutor de crescimento proibido na ração animal

Venílson Ferreira, da Agência Estado,

29 de abril de 2013 | 14h31

BRASÍLIA - A suspensão das importações de tripas produzidas no Brasil por parte do serviço sanitário russo, por causa da presença de resíduos de ractopamina, um indutor de crescimento utilizado na alimentação dos animais, levou a Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura do Brasil a abrir uma investigação junto aos frigoríficos para apurar se estão usando ilegalmente a substância na ração de bovinos.

O secretário de Defesa Agropecuária, Ênio Marques, afirmou que até agora o governo brasileiro não recebeu comunicado oficial do serviço russo de defesa sanitária, denominado Rosselkhoznadzor, sobre a proibição às importações de tripas publicada no site da instituição.

Com o maior rebanho bovino comercial do mundo, o Brasil é o maior produtor mundial de tripas. Elas são utilizadas principalmente na fabricação de produtos embutidos de carne, como o salame, mas existem outros usos, como fio cirúrgico, cerdas de instrumentos musicais e raquetes de tênis. 

O governo brasileiro suspendeu a liberação de certificados para exportação de tripas para o mercado russo enquanto aguarda informações sobre os exames laboratoriais feitos na Rússia.

Marques lembrou que no final do ano passado o governo brasileiro suspendeu o uso da ractopamina e outros betabloqueadores nos confinamentos de bovinos.

No caso dos suínos, o uso é liberado, mas as empresas devem fazer segregação para atender às exigências dos mercados que proíbem o uso da substância, como é o caso da Rússia e da União Europeia.

A segregação é possível na suinocultura por causa do sistema integrado de produção, enquanto na pecuária de corte é mais difícil, pois desde o nascimento até o abate o animal muitas vezes passa por várias fazendas.

O coordenador do Controle de Resíduos e Contaminantes da Secretaria de Defesa Agropecuária, Leandro Feijó, explica que a Rússia permite no máximo resíduo de 0,1 ppb (parte por bilhão) da ractopamina e na União Europeia o limite é de 1 ppb, enquanto o Brasil segue o padrão internacional estabelecido pelo Códex Alimentarius e permite até 10 ppb.

Feijó afirmou que no caso do limite de 0,1 ppb exigido pela Rússia existe a possibilidade de o resultado dos exames darem "falso negativo". Ele disse que a investigação junto aos frigoríficos permitirá chegar até o fornecedor do gado, caso fique comprovado que houve de fato o uso ilegal da ractopamina.

A União Europeia é o principal mercado das exportações de tripa do Brasil, respondendo no primeiro trimestre deste ano por 58% dos embarques, que totalizaram 2.265 toneladas, com receita de US$ 11,850 milhões.

A Rússia importou de janeiro a março deste ano 1.169 toneladas (receita de US$ 6,952 milhões), que representa 9% das exportações brasileiras.

No total o Brasil exportou neste ano, até o mês passado, 20.385 toneladas de tripas de bovinos, que geraram uma receita de US$ 80,7 milhões.

O veterinário Rodrigo Padovani, da Secretaria de Defesa Agropecuária, explica que as tripas são lavadas com água à temperatura de aproximadamente 45ºC para a retirada total dos resíduos intestinais.

Após serem refiladas, as tripas são viradas do avesso e em seguida emergidas em conservante (ácido acético/água) por aproximadamente 5 minutos, para depois irem para a salga por um período de aproximadamente 12 horas.

Tudo o que sabemos sobre:
triparússiafrigoríficos

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.