Governo ‘tem muitas armas’ para enfrentar a alta do dólar, diz Mantega

Ministro cita os leilões de venda da moeda americana, que já somam US$ 34,5 bi desde maio, mas admite que câmbio agora 'tem novo patamar' 

Ricardo Leopoldo e Francisco Carlos de Assis, da Agência Estado,

16 de agosto de 2013 | 13h29

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, garantiu nesta sexta-feira que o governo "tem muitas armas" para enfrentar a alta do dólar. "Temos reservas muito elevadas, são US$ 372 bilhões, US$ 373 bilhões", destacou. No momento da entrevista, o dólar estava em alta de 1,24% cotado a R$ 2,37.

Após participar do Fórum Nacional de Empresários,em São Paulo, o ministro criticou também o "excesso de pessimismo em alguns setores".

O ministro citou os leilões de venda da moeda americana como um dos exemplos das armas que o governo tem para usar. Desde o dia 31 de maio, o BC já colocou US$ 34,5 bilhões no mercado na forma de leilões.

O ministro disse que o câmbio "tem novo patamar", provocado pela expectativa em relação ao início da redução de compra de ativos de US$ 85 bilhões mensais pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos). E também pela queda do saldo positivo da balança comercial, decorrente em parte pela desaceleração da China e mudanças nos preços de commodities.

"Câmbio volátil é um problema para alguns setores", destacou. "O câmbio atual é bem visto pela indústria", acrescentou. Segundo o ministro, o "novo câmbio torna o setor produtivo brasileiro mais competitivo."

Ele citou que alguns setores da indústria já estão exportando mais e deu como exemplo o segmento automobilístico, que elevou em 20% suas vendas externas no primeiro semestre.

"Não sei dizer para onde vai o câmbio", destacou, ao responder pergunta se o atual patamar, ao redor de R$ 2,30, é avaliado por ele como confortável.

"Esse câmbio não é definitivo. O momento é de volatilidade. Vamos esperar que o câmbio tenha um patamar mais estabilizado", apontou. Já no fim da entrevista, Mantega afirmou que "no curto prazo o cenário é de talvez uma desvalorização do real ante o dólar".

Pessimismo. O ministro da Fazenda afirmou ainda que a economia brasileira tem se comportado razoavelmente bem e que não "tem fundamento certo pessimismo em certas análises por aí".

Nesta sexta-feira, o banco de investimento americano J.P. Morgan revisou fortemente para baixo, de 1,5% para -0,3%, a sua estimativa para o PIB da economia brasileira no terceiro trimestre deste ano.

De acordo com Mantega, alguns setores da economia já estão crescendo, citando como exemplo o setor automotivo, construção civil e químico. "A economia cresceu razoavelmente no primeiro semestre e deve continuar crescendo no segundo semestre", afirmou o ministro.

Ele reconheceu haver ainda alguns problemas decorrentes da economia internacional, que ainda não foram resolvidos, mas que já há sinais de algum crescimento no setor externo. "Se não for em 2013, será em 2014 a retomada da economia internacional que impulsionará a brasileira", continuou.

Mantega também avaliou que a inflação no primeiro semestre "causou algum estrago", corroendo o poder de compra de uma parcela da população. Mas de acordo com o ministro, a inflação já começa a dar sinais de estabilidade.

Isso, somado ao aumento do crédito, trará algum estímulo ao comércio varejista, segundo Mantega. Ele afirmou que, no primeiro semestre, o varejo não foi bem, mas que dará uma virada na segunda metade do ano.

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