Alberto Ruy/MInfra
Obras em trecho da BR-381, em Minas Gerais: duplicação da rodovia deve ser retomada pelo governo federal. Alberto Ruy/MInfra

Governo tem pacote de obras pós-crise do coronavírus

Ideia é injetar dinheiro em infraestrutura como forma de gerar emprego e dar impulso à economia do País assim que a pandemia retroceder

André Borges, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2020 | 08h00

BRASÍLIA - O Ministério da Infraestrutura elabora uma lista de obras prioritárias para serem tocadas com recursos da União como resposta mais rápida e objetiva para gerar emprego e dar um tranco no motor parado da economia, quando a crise na saúde gerada pelo novo coronavírus arrefecer. O entendimento é que o plano de concessões para a iniciativa privada segue inalterado, mas que não pode ser a única solução para um impulso de curto prazo.

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, tenta garantir que os R$ 6 bilhões previstos no orçamento da pasta para 2020 não sofram cortes e que um pacote de 54 obras públicas de infraestrutura seja tocado sem paralisação. É pouco dinheiro. Para se ter uma ideia, em tempos normais, R$ 6 bilhões costuma ser o valor anual que o Dnit executa apenas para fazer a manutenção das estradas federais que administra. 

Por isso, a aposta de Tarcísio está hoje em uma negociação com o Ministério da Economia, para colocar para funcionar o que o governo tem chamado internamente de “um grande pacto pela infraestrutura”. Na prática o que se pretende é garantir mais R$ 30 bilhões para aplicar em outros 70 projetos de infraestrutura com a contratação direta de empreiteiras e empresas de médio porte a partir de órgãos como Dnit, Infraero e a Valec, para execução de obras de pavimentação de estradas, reforma de terminais de portos, aeroportos e construção de trechos de ferrovias. 

Nas contas do ministro da Infraestrutura, todas essas obras públicas, somadas às concessões que estão previstas, teriam capacidade de gerar, entre o segundo semestre deste ano e 2021, cerca de 1 milhão de novos empregos.

O tema tem sido tratado diretamente com o ministro da Economia, Paulo Guedes. O arranjo financeiro ainda não tem nenhuma garantia que sairá, mas há consenso de que as obras públicas, ao lado de outras medidas de crédito barato e de novas concessões de projetos para a iniciativa privada, seriam a vacina de efeito mais rápido para lidar com o quadro catastrófico da economia e do emprego.

A lista de obras previstas inclui aquelas que já têm projetos de engenharia concluídos e com licenciamento ambiental em fase adiantada. Nesta relação estão, por exemplo, trechos da Ferrovia de Integração Oeste – Leste (Fiol), na Bahia, da pavimentação da BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO), e a duplicação da BR-381, em Belo Horizonte (MG).

O consultor Cláudio Frischtak, sócio gestor da Inter.B, consultoria internacional de negócios, lembra que o País tem histórico de realizar obras públicas, mas poderá que há um problema crônico de governança desses projetos. “Antes da lei de concessões de 1995, tudo basicamente era realizado pelo governo ou empresas de capital misto. Temos o histórico de obras públicas, mas houve uma deterioração gradativa na governança delas”, comentou. “Os órgãos públicos podem ter melhorado, mas é preciso reconhecer que são empresas com histórico muito ruim de contratação e de execução de obras públicas.”

Apesar do desenho mais emergencial e menos estruturante, o “pacto pela infraestrutura” desenhado no governo remonta a iniciativas tomadas por países nos anos de pós-guerra, como o chamado New Deal dos americanos. Em 1933, para enfrentar a “grande depressão” com a quebra da bolsa de 1929, o governo do presidente Franklin Roosevelt passou quatro anos injetando bilhões de dólares em obras de infraestrutura. 

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Plano de concessão do governo prevê 44 leilões ainda neste ano

A agenda de 2020 inclui projetos nos quatro modais de transporte; Tarcísio de Freitas já fez uma teleconferência com mais de 50 investidores estrangeiros

André Borges, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2020 | 08h00

BRASÍLIA - O Ministério da Infraestrutura mantém um cronograma ativo para concessões de infraestrutura no segundo semestre deste ano, apesar do cenário incerto sobre o fim das quarentenas nos Estados e a queda nos casos de contaminação e mortes pelo coronavírus.

Na terça-feira, 15, Tarcísio de Freitas fez uma teleconferência com mais de 50 investidores ligados a fundos de investimentos árabes, americanos e europeus, para apresentar os projetos e sinalizar que o cronograma está mantido. Um dos temas considerados cruciais nessa agenda é a mitigação do risco cambial em contratos. O investidor quer garantia de que não ficará exposto à flutuação da moeda.

De maneira geral, a conversa serve para apontar que a carteira de empreendimentos segue ativa e que é preciso aguardar a crise da saúde terminar. Hoje há dificuldades de se fazer, por exemplo, visitas a projetos para processos de “due dilligence”.

A agenda deste ano prevê um total de 44 leilões nos quatro modais de transporte: rodoviário, ferroviário, aquaviário e aéreo. Apenas uma rodovia, a BR-101 em Santa Catarina, foi concedida até hoje.

Ao todo, a previsão é de oferta de sete rodovias, duas ferrovias e nove terminais portuários, além da renovação antecipada de quatro concessionárias de ferrovias de cargas. O pacote de 22 aeroportos inclui terminais de capitais como Curitiba (PR), Manaus (AM) e Goiânia (GO). Com todo o pacote de concessões, a expectativa do governo é alcançar R$ 101 bilhões em investimentos.

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