Dida Sampaio/ Estadão
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Governo tem rombo de R$ 126 bilhões em maio, pior resultado já registrado

De acordo com Tesouro Nacional, projeção atual para o rombo em 2020 é de R$ 676 bilhões, equivalentes a 9,5% do PIB

Lorenna Rodrigues e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2020 | 11h06
Atualizado 29 de junho de 2020 | 20h13

BRASÍLIA – O auge da pandemia do novo coronavírus fez com que os cofres públicos do Governo Central voltassem a registrar um rombo recorde no mês passado. As contas do Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central tiveram um saldo negativo de R$ 126,609 bilhões em maio, o pior resultado primário para qualquer mês na série histórica iniciada em 1997. A equipe econômica já trabalha com um déficit de mais de R$ 800 bilhões em 2020, caso o auxílio emergencial pago a desempregados e informais seja prorrogado.

Como já era esperado pelo governo e pelo mercado, o buraco nas contas públicas do mês passado superou o déficit de R$ 92,902 bilhões de abril, que até então era o pior já registrado. No domingo, 28, o secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, adiantou que o resultado de junho também deve ser bastante negativo. “Como concentram os gastos para o enfrentamento da crise da covid-19, os meses de abril, maio e junho terão os maiores déficits primários”, projetou.

Com as medidas de isolamento social impostas por governos estaduais e municipais desde o fim de março para conter o avanço da doença, a arrecadação de tributos federais em maio apresentou queda real de 36,9% em relação ao mesmo mês do ano passado. Também pesou a postergação do recolhimento de tributos pela Receita Federal durante a crise.

Por outro lado, as despesas tiveram alta real de 68% na comparação com o mesmo mês de 2019. De acordo com o Tesouro, os gastos referentes ao enfrentamento à crise – como programas de renda e reforço para a Saúde - somaram R$ 53,4 bilhões no mês passado.

Para o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, maio deve ter sido o fundo do poço para as contas públicas em 2020. Ele observa que o resultado do mês foi puxado para baixo por pressões pontuais que não devem se repetir em junho, como a antecipação das parcelas do 13º do INSS.

“É claro que isso não quer dizer que vamos ter uma reversão desse déficit daqui para frente, muito pelo contrário: a média dos próximos seis meses deve ficar em torno de R$ 62,0 bilhões de déficit mensal", afirma Agostini.

No acumulado de janeiro a maio, o resultado primário foi deficitário em R$ 222,468 bilhões, também recorde para o período. O desempenho só não foi pior porque o governo adiou o pagamento de R$ 20 bilhões em precatórios. Em relação aos cinco primeiros meses de 2019, houve queda de 14,2% nas receitas e avanço de 20,8% nas despesas.

Até domingo, a projeção oficial do Tesouro para o rombo das contas públicas em 2020 era R$ 676 bilhões, equivalentes a 9,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Mansueto adiantou, porém, que essa projeção será revisada pela equipe econômica e pode chegar a 11,5% do PIB, caso o governo decida mesmo ampliar as parcelas do auxílio emergencial ou sofra novos reveses de receitas. / COLABOROU CÍCERO COTRIM

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