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Governo teme 'contaminação' no rating do País

Preocupação agora é que o rebaixamento da nota da Petrobrás leve agências a retirar o grau de investimento dos títulos brasileiros

JOÃO VILLAVERDE, DAIENE CARDOSO, VERA ROSA, O Estado de S.Paulo

25 Fevereiro 2015 | 02h02

BRASÍLIA - O rebaixamento da nota de crédito da Petrobrás pela agência Moody's caiu como um balde de água fria na equipe econômica do governo Dilma Rousseff. O grupo, formado pelos ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Babosa, além do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, vem se esforçando, desde o fim do ano passado, para melhorar o quadro das contas públicas brasileiras, aumentando a transparência e a comunicação com o mercado. Mas, ontem à noite, o que havia era uma sensação de que o rebaixamento da estatal poderia 'contaminar' a nota de crédito dos títulos brasileiros.

Após o anúncio, ficou definido que o melhor seria discutir alternativas para evitar esse eventual contágio. Hoje, os ministros da equipe econômica devem se reunir com a presidente Dilma para fazer uma avaliação da perda do grau de investimento da Petrobrás e definir uma estratégia de trabalho.

Para os próximos dias, o governo prepara medidas fiscais, como a unificação e simplificação do PIS e da Cofins, e também um corte profundo de despesas federais no Orçamento. As medidas são esperadas pelas agências de rating e pelo mercado para melhorar o quadro fiscal do governo e o ambiente de negócios no País.

A maior preocupação do governo é com o impacto da crise sobre os investimentos privados e a geração de emprego. Na sexta-feira, Dilma destacou que é preciso perceber a diferença entre "as empresas e quem praticou corrupção, para que se punam os culpados, mas se preserve a geração de empregos".

No Congresso, deputados e senadores foram surpreendidos pela notícia em meio à sessão do Congresso para apreciação dos vetos presidenciais. A oposição disse que a petroleira havia chegado ao fundo do poço, enquanto a base disse acreditar na recuperação.

Oposição. "Mais um elemento da tragédia que o PT promoveu em instalar uma cadeia para roubar a Petrobrás", declarou o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP). Para o tucano, o rebaixamento é reflexo da "profundidade do buraco em que jogaram" a estatal.

Assim como Aloysio Nunes, o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) avaliou que a decisão da Moody's também terá consequências sobre as empresas ligadas à Petrobrás e todos os seus investimentos. "Não é de se espantar a situação da Petrobrás. Isso tem causado preocupação a todos os brasileiros. Só posso lamentar", disse.

O senador e ex-ministro de Minas e Energia, senador Edison Lobão (PMDB-MA), acredita que a dificuldade enfrentada pela Petrobrás não é tão grande a ponto de perder o grau de investimento. "Esse é mais um sofrimento pelo qual passa a Petrobrás. É uma tempestade que a Petrobrás está enfrentando e ela será vencida", concluiu.

O líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), disse que já esperava pelo rebaixamento em virtude do cenário que tomou conta da estatal. Para ele, o que está em jogo não é o combate à corrupção, mas o projeto da oposição de mudar o modelo de partilha do pré-sal e entregá-lo às grandes petrolíferas estrangeiras. O petista afirma que o novo presidente da empresa, Aldemir Bendine, vai recuperar a credibilidade da estatal e que o rebaixamento não prejudicará sua recuperação. "A Petrobrás é tão forte que vai sobreviver a tudo isso."

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