Governo teme impasse em revisão da meta fiscal

Ministro Aloizio Mercadante usou abertura do Encontro Nacional da Indústria para demonstrar preocupação com a oposição no Congresso

LAÍS ALEGRETTI, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2014 | 02h05

BRASÍLIA  - O governo escolheu ontem uma plateia de empresários industriais de todas as regiões do País, reunidos em evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), para mandar um recado sobre sua preocupação com a oposição do Congresso à revisão da meta do superávit primário do setor público em 2014.

"Espero que o Congresso sustente a escolha de reduzir (a meta de) superávit primário. Não podemos trazer pra cá a experiência dos Estados Unidos, onde o Congresso ficou meses discutindo a questão da dívida", disse o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, na abertura do Encontro Nacional da Indústria.

Após registrar um resultado negativo de R$ 15,3 bilhões no acumulado do ano, até setembro, o governo será obrigado a rever a meta de economia de gastos para pagamento de juros da dívida pública. A meta do primário para o governo central, sem incluir as contas de Estados, municípios e estatais, era de R$ 80,7 bilhões neste ano. Essa alteração depende da aprovação do Congresso.

Aos empresários, Mercadante defendeu a política anticíclica do governo. "Das 20 maiores economias do mundo, 17 estão com déficit primário para fazer política de recuperação da economia", afirmou. "O nosso Congresso tem maturidade e sabe que precisamos continuar tendo rigor fiscal, o que ajuda a aliviar a política monetária".

O ministro fez a defesa dos gastos sociais e das desonerações, que, segundo ele, mantêm o nível de atividade e o emprego no País em um cenário de crise internacional.

O ministro disse que sempre é possível cortar gastos. "Corte em gasto público é como corte de cabelo: tem que cortar sempre. O que não dá para fazer é corte drástico, que imponha trajetória recessiva", disse.

"Temos que manter emprego e renda da população. Como não dá para crescer para fora, só conseguimos crescer com mercado interno forte, que é o que está amenizando o impacto da crise internacional."

No início desta semana, o Estado mostrou que, preocupada com o risco de ser derrotada em um tema fundamental no Congresso, a presidente Dilma Rousseff corre contra o tempo para enviar, até o início da próxima semana, o projeto de lei de alteração na meta do superávit primário das contas do setor público para 2014.

O governo não tem um plano B e vê com grande preocupação a resistência de congressistas da oposição e de aliados "rebelados" da base parlamentar. Integrantes da oposição declararam que vão trabalhar contra a aprovação do projeto.

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