Governo teme mais pressões

Um dos grandes temores do governo, particularmente da equipe econômica, é a possibilidade de o aumento de 7,72% para os aposentados do INSS provocar uma pressão em cascata de categorias de servidores públicos por reajustes, afetando as contas públicas.

TÂNIA MONTEIRO E DENISE MADUEÑO, Agencia Estado

24 de maio de 2010 | 22h44

Grande parte da reunião da coordenação política de hoje, comandada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no CCBB, foi tomada pela defesa, com maior ou menor ênfase pelos seus participantes, do veto ao aumento aprovado pelo Congresso.

Os ministros presentes ao encontro recomendaram ao presidente Lula que não tenha receio de vetar o reajuste acima do que tinha sido acordado com as centrais sindicais, sob o argumento de que "o povo saberá entender e saberá ver o que é demagogia", conforme relatou um dos ministros presentes.

Ao endurecer o discurso, o Planalto quer transmitir aos parlamentares que "não adianta votar um pacote de bondades" porque não há recursos disponíveis. Um dos ministros lembrou que o Judiciário já está pleiteando 56%. "Isso é uma brincadeira", desabafou ele, acrescentando que "se der aumento para um, logo vem outro pedindo mais".

No Congresso, a oposição vai explorar ao máximo o eventual desgaste político do presidente Lula caso ocorra o veto ao índice de 7,7% e ao fim do fator previdenciário. Os oposicionistas reconhecem a dificuldade em derrubar o veto, em sessão do Congresso, por isso, apostam no desgaste do governo mantendo o assunto em evidência no ano eleitoral.

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