Governo teme mais pressões por reajustes

Maior temor é que aceitação dos 7,72% provoque nova onda de reivindicações de[br]servidores por aumentos

Tânia Monteiro e Denise Madueño, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2010 | 00h00

Um dos grandes temores do governo, particularmente da equipe econômica, é a possibilidade de o aumento de 7,72% aos aposentados do INSS provocar uma pressão em cascata de servidores públicos por reajustes, afetando as contas públicas. Grande parte da reunião da coordenação política de ontem, comandada pelo presidente Luiz Inácio Lua da Silva, foi tomada pela defesa, com maior ou menor ênfase, do veto ao aumento aprovado pelo Congresso.

Os ministros presentes ao encontro recomendaram ao presidente Lula que não tenha receio de vetar o reajuste acima do que tinha sido acordado com as centrais sindicais, sob o argumento de que "o povo saberá entender e saberá ver o que é demagogia", conforme relatou um dos ministros presentes.

Ao endurecer o discurso, o Planalto quer transmitir aos parlamentares que "não adianta votar um pacote de bondades" porque não há recursos disponíveis. Um dos ministros lembrou que o Judiciário já está pleiteando 56%. "Isso é uma brincadeira", desabafou ele, acrescentando que "se der aumento para um, logo vem outro pedindo mais".

Na reunião de coordenação, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez ainda um balanço sobre a crise econômica que está afetando países na Europa. Ele voltou a falar da demora em socorrer a Grécia e ressaltar que "é claro" que um agravamento da situação econômica da Europa pode atingir o Brasil, já que, fatalmente, as vendas para aqueles países terão uma queda substancial, assim como o crédito externo poderá ser afetado. Mas o ministro reiterou também que a situação do Brasil é de absoluta tranquilidade.

Oposição. No Congresso, a oposição vai explorar ao máximo o eventual desgaste político do presidente Lula caso ocorra o veto aos 7,72% e ao fim do fator previdenciário. Os oposicionistas reconhecem a dificuldade em derrubar o veto, em sessão do Congresso, por isso apostam no desgaste do governo, mantendo o assunto em evidência no ano eleitoral.

Independentemente da questão jurídica sobre os rumos da medida provisória, caso a matéria seja vetada, a estratégia dos partidos de oposição, se for confirmado o veto, é fazer barulho e pressionar pela realização de uma sessão do Congresso para analisar a decisão presidencial. Cabe ao presidente do Senado, senador José Sarney (PMDB-AP), convocar a sessão e pôr o assunto na pauta. "O presidente terá problemas com a oposição e com a própria base", avaliou o líder do DEM na Câmara, Paulo Bornhausen (SC).

"Não acredito que o presidente vá vetar, mas, se isso acontecer, vamos trabalhar para derrubar o veto. É difícil, não é simples", reconhece o líder do PPS, Fernando Coruja (SC), autor da emenda do fim do fator previdenciário, incluída durante votação da MP na Câmara.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.