Dida Sampaio
Dida Sampaio

Governo Temer quer aproveitar momento pós-impeachment para acelerar investimento chinês

Temer pregará o discurso de que novo governo melhora ambiente com a adoção de novas regras para as concessões, além do câmbio que favorece o ingresso de capital

Fernando Nakagawa e Claudia Trevisan, enviados especiais, O Estado de S.Paulo

01 Setembro 2016 | 11h51

A atração de investimentos chineses para projetos de infraestrutura no Brasil estará no centro da visita que o presidente Michel Temer realiza a partir desta sexta-feira à China. O assunto deverá ser abordado no encontro que ele terá na tarde desta quinta-feira, 1º, com seu colega chinês, Xi Jinping, e em seminário que reunirá empresários dos dois países em Xangai.

No evento, serão assinados contratos de investimentos chineses de pelo menos R$ 10 bilhões no Brasil, em setores como logística e siderurgia. Também serão fechados acordos comerciais, entre os quais o que prevê a venda de aviões da Embraer a companhias aéreas chinesas. A mensagem de Temer é a de que o período de instabilidade política no Brasil foi superado e que seu governo está tomando as medidas necessárias para ajustar a economia e dar segurança aos que coloquem capital em grandes projetos de infraestrutura.

Mas o presidente desembarca na China sob o impacto de mais uma crise em sua base de apoio no Congresso, sem a qual não conseguirá aprovar o ajuste fiscal nem o novo modelo de concessões, dois dos principais elementos de sedução de potenciais investidores estrangeiros. A manobra de parcela do PMDB para livrar a ex-presidente Dilma Rousseff da pena de perda dos direitos políticos irritou o PSDB e abalou o apoio do governo entre os parlamentares.

Principal articulador do acordo pró-Dilma, o presidente do Senado, Renan Calheiros, está no avião que leva Temer à China. A aeronave decolou às 19h40 de quarta-feira e deverá chegar a Xangai por volta das 23h desta quinta-feira, depois de três escalas para reabastecimento. No mesmo voo estão os ministros José Serra (Relações Exteriores) e Henrique Meirelles (Fazenda). Os titulares da Agricultura, Blairo Maggi, e dos Transportes, Maurício Quintella, estão na China desde quinta-feira.

Promovido pela Apex, o seminário empresarial deverá reunir cerca de 100 brasileiros e 250 chineses na manhã desta sexta-feira em Xangai. O evento será dividido em três painéis: cooperação em infraestrutura e logística, agronegócio e cooperação industrial.

Autoridades brasileiras ressaltam que nos últimos anos houve diversificação e aprofundamento dos investimentos chineses no país. Inicialmente concentrados no setor de commodities, eles passaram a abranger projetos industriais e se espalharam para atividades financeiras.

A expectativa é que a maior estabilidade política e um marco regulatório que garanta uma moldura de longo prazo funcionem como elementos de atração de capital para projetos de infraestrutura. Além disso, há fatores conjunturais favoráveis a esse movimento, como o baixo preço dos ativos decorrente da depreciação cambial e a elevada liquidez internacional.

Depois de participar de seminário empresarial em Xangai, Temer deverá ir a Hangzhou, onde está previsto seu encontro com Xi Jinping às 16h50 de sexta-feira (5h50, horário de Brasília). Essa será a primeira reunião do presidente brasileiro com um chefe de Estado estrangeiro.

Não há uma agenda específica para o encontro, que não produzirá acordos ou anúncios concretos. Segundo uma fonte do governo brasileiro, a reunião servirá para que os dois líderes discutam a “direção” que pretendem dar ao relacionamento bilateral, além de ser o palco para Temer ressaltar o interesse de seu governo em atrair investimentos em infraestrutura.

A China é o principal parceiro comercial do Brasil e tem uma participação crescente nos investimentos estrangeiros recebidos pelo país. Mas as compras do país asiático continuam concentradas em três produtos, que respondem por 75% dos embarques: soja, minério de ferro e petróleo.

No domingo, Temer fará sua estreia em um foro multilateral com sua participação no G20, o grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo. Entre os pontos centrais da agenda estará o baixo crescimento do PIB global, mesmo em um cenário de taxas de juros negativas ou próximas de zero. Os líderes reunidos em Hangzhou também discutirão caminhos para estimular o comércio internacional no momento em que uma onda antiglobalização ganha força na Europa e nos EUA.

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