Governo temia ser responsabilizado pela crise com a falência da Varig

A disputa pela Varig começou em 2005, quando a empresa entrou em processo de recuperação judicial. Com uma dívida de R$ 7 bilhões, a maior e mais antiga companhia aérea brasileira estava à beira da falência. A crise se agravou no primeiro semestre de 2006, com vôos sendo cancelados por falta de aviões. O ano era de eleições e Copa do Mundo. No governo, havia a convicção de que a única saída era a falência, desde que não fosse responsabilizado por ela. O governo queria evitar cenas de aeromoças chorando e torcedores dormindo sobre malas nos aeroportos.Mas as pressões vinham de todos os lados: enquanto trabalhadores, aposentados e políticos cobravam a intervenção do governo, empresas aéreas rivais torciam pela falência e brigavam pelo espólio. Com risco de parar de voar a qualquer momento, a Varig ganhou um anjo da guarda, o juiz Luiz Roberto Ayoub, da Vara Empresarial do Rio de Janeiro. Ayoub fez uma interpretação polêmica da Lei de Recuperação Judicial e separou a Varig em duas empresas. Uma delas era saudável, com as rotas, balcões e hangares nos aeroportos. A outra parte quase não tinha bens, carregava as dívidas da companhia, mas poderia receber uma indenização bilionária de um processo movido contra o governo federal por causa do congelamento das tarifas aéreas nos anos 80. A parte saudável da Varig foi levada a leilão em 8 de junho de 2006, por um preço mínimo de US$ 860 milhões. O único interessado foi a associação de trabalhadores TGV, que não tinha dinheiro. Mas o lance da TGV evitou a decretação da falência e serviu para a VarigLog ganhar tempo. Foi então que, com a ajuda do escritório Teixeira e Martins, a VarigLog conseguir aprovar sua nova estrutura societária na Anac.E foi no segundo leilão, em 20 de julho, desta vez com um preço mínimo de US$ 24 milhões, que a Variglog levou a Varig. Meses depois, novamente com a intermediação do advogado Teixeira, a VarigLog revendeu a Varig à Gol, por US$ 320 milhões.

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