Governo tende a manter a meta da inflação em 4,5%

Incerteza na economia deve levar o CMN a manter a meta para 2010 e 2011, segundo fontes do governo

Adriana Fernandes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

26 de junho de 2009 | 00h00

As incertezas que ainda prevalecem na avaliação dos cenários de médio e longo prazos devem consolidar a tendência de o Conselho Monetário Nacional (CMN) fixar em 4,5% a meta de inflação para 2011 e deixar para depois a análise sobre a conveniência ou não de se perseguir uma inflação menor no primeiro ano de mandato do sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A meta de 4,5% para 2010 é consenso, e a estratégia adotada dará tempo ao governo para confirmar a de 2011. Afinal, a meta que o Conselho Monetário definir na sua reunião de segunda-feira para 2011 só será validada em junho do próximo ano, conforme determina o sistema de metas de inflação. A avaliação predominante na equipe do Ministério da Fazenda, segundo fontes ouvidas pela Agência Estado, é a de que existe um risco de inflação global que está associado a esse cenário de incertezas no mercado externo. O risco estaria atrelado aos ajustes que os governos de outros países devem fazer para corrigir os elevados déficits fiscais que foram criados para conter a crise financeira. "O momento exige cautela redobrada e deve ser conduzido sem precipitações que podem custar caro depois", disse uma fonte. Um recuo agora da meta, segundo fontes, poderia trazer mais prejuízos do que benefícios ao processo de retomada do crescimento econômico depois da desaceleração provocada pela crise financeira internacional. "Pode ter um repique da inflação. Não se sabe como a inflação vai se comportar quando o País voltar a crescer", disse uma fonte do Ministério da Fazenda. Segunda a mesma fonte, esse momento econômico é "muito particular", difícil de antever o cenário. "Os modelos não estão respondendo como antes. Abaixar a meta para 4% não é garantia que a inflação vai convergir. A economia ainda tem muita rigidez de preço." DEBATE MAIS TRANQUILOO certo é que agora o debate sobre a meta de inflação entre o Ministério da Fazenda e o Banco Central se dá em bases bem mais tranquilas do que em anos anteriores, quando o embate em torno do assunto rendeu até mesmo divergências públicas. Embora o Banco Central considere fundamental a necessidade de perseguir, e sobretudo sinalizar, um cenário de inflação mais reduzida que assegure níveis de taxas de juros cada vez mais baixos, desta vez a pressão da autoridade monetária pela redução da meta não está no radar dos assessores. A defesa pela cautela tem como foco o calendário eleitoral de 2010, considerado um complicador adicional às análises. Se houvesse a opção de definir uma meta menor para 2011 e o País passasse a conviver com uma pressão inflacionária, decorrente da retomada do crescimento econômico, o Banco Central provavelmente seria obrigado a elevar os juros - para manter sob controle os reajustes nos preços - durante o período eleitoral.

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