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Estadão
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Governo tenta convencer S&P de que ajuste dará resultado

Missão da agência voltou a se reunir nesta quinta-feira com autoridades em Brasília para colher informações sobre a situação do País

Célia Froufe, Nivaldo Souza, O Estado de S. Paulo

05 de março de 2015 | 22h44

BRASÍLIA - O governo brasileiro apostou todas suas fichas nas ações econômicas tomadas recentemente para tentar convencer a equipe da agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) de que entregará resultados positivos em um futuro próximo e que eventuais efeitos negativos dessas medidas são temporários. Uma missão da agência esteve nos últimos dias em Brasília reunida com autoridades das áreas econômica e política para colher informações sobre a situação do País.

“Eles entenderam que o que estamos fazendo agora é um trabalho de transição para uma plataforma de crescimento no futuro”, relatou ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, uma fonte que participou das reuniões. O governo deixou claro para a missão da S&P onde pretende chegar, mas admitiu haver alguns obstáculos no momento e que, por isso, decidiu concentrar nas ações de agora.

Energia. Entre as dúvidas levantadas pelos cinco integrantes da Standard & Poor’s estava a questão energética. Eles se reuniram nesta quinta-feira com o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga. O grupo, comandado pela norte-americana Lisa Schineller, chefe da S&P para a América Latina, concentrou suas questões no risco de apagão.

A questão da segurança energética dominou a conversa de cerca de uma hora com Braga, que reproduziu a apresentação feita por ele nesta quinta-feira no plenário da Câmara dos Deputados, quando recomendou aos brasileiros “não deixar a geladeira aberta” para evitar o desperdício. E completou as informações com outros dados do setor. “Eles (S&P) estavam tentando saber o comportamento da segurança energética no futuro”, disse uma fonte que acompanhou a conversa.

Essas reuniões costumam ser o ponto de partida para as agências confirmarem ou revisarem o selo de qualidade de bom ou mau pagador de um país. O tema é caro ao governo, que teme sofrer rebaixamento da nota, assim como ocorreu na semana passada com a principal empresa do País, a Petrobrás. “O encontro foi excelente”, disse a fonte que participou de uma das reuniões.

Apesar de a reunião ter transcorrido sob um clima extremamente formal e não ter havido menções a possíveis downgrades ou upgrades (rebaixamentos ou elevações da classificação do Brasil), a avaliação deste participante é a de que a equipe da S&P entendeu bem o trabalho que está sendo feito pela atual equipe econômica.

O governo reforçou para os representantes da agência de classificação de risco as medidas que já foram adotadas, como o pacote fiscal para atingir a meta de superávit primário na proporção de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) e o atual ciclo de aperto monetário para tentar conter a alta inflação, entre outros.

A missão esteve reunida também com os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil), Joaquim Levy (Fazenda) e Nelson Barbosa (Planejamento), além do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Depois, a equipe da agência viajou para São Paulo, onde terá reuniões com empresários. 

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