CLAYTON DE SOUZA | AE
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Governo tenta evitar cortes na Usiminas

Ministro do Trabalho solicitou que a companhia atrase por 120 dias as demissões na siderúrgica de Cubatão, que podem chegar a 4 mil

Rachel Gamarski / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2015 | 05h02

Com o aumento do desemprego, o novo ministro do Trabalho e Previdência Social, Miguel Rossetto, está tentando negociar com a Usiminas a suspensão temporária das demissões na siderúrgica de Cubatão (SP). O ministro solicitou que a companhia atrase por 120 dias os desligamentos na região, que podem ocasionar o fechamento de 4 mil postos.

Em nota, a Usiminas informou que respeita a posição de Rossetto e apresentará a ele as razões que tornaram inevitável a decisão de se desativar temporariamente as áreas primárias da Usina de Cubatão (ex-Cosipa). Nesta semana, o ministro se reuniu com a prefeita da cidade, Márcia Rosa (PT), e com representantes de sindicatos.

Após o encontro, Rossetto decidiu pedir o adiamento da decisão e vai marcar uma reunião com o presidente da companhia, Rômel Erwin de Souza, para conversar sobre os desligamentos. O Sindicato dos Siderúrgicos e Metalúrgicos da Baixada Santista estima que o número de demitidos chegue a 8 mil.

Produção. Logo após a divulgação do balanço da companhia no terceiro trimestre com um prejuízo líquido de R$ 1,04 bilhão, a Usiminas anunciou a desativação temporária das áreas primárias da usina de Cubatão.

A decisão, segundo a companhia, foi tomada para fortalecer a capacidade produtiva diante do mercado em deterioração. Além de estar endividada, a Usiminas enfrenta a crise do mercado de aço no Brasil e uma disputa entre seus principais sócios.

Um dos dois altos-fornos da Usina de Cubatão já havia sido desligado em maio. O laminador de chapas grossas foi desativado em setembro. Ainda assim, estudos da Usiminas apontaram que a alternativa mais viável seria a paralisação das áreas primárias da unidade.

Sobrevivência. Em nota, a companhia afirmou ter consciência do impacto social do desligamento de parte da usina sobre o emprego na região da Baixada Santista. Mas a empresa ressalta que, diante dos últimos resultados financeiros, o plano de desativação foi necessário para a sustentabilidade da Usiminas como empresa responsável por outros milhares de empregos, incluindo na área de laminação da Usina de Cubatão, que permanecerá operando.

A situação da Usiminas é considerada delicada e reflete a fragilidade do setor siderúrgico no País, que enfrenta baixa demanda e concorrência com as importações. Em 12 meses até junho, 20 unidades de produção foram desativadas no País.

Setor. A combinação de demanda fraca por aço no mercado interno e excedente de produção global pode provocar uma onda de paralisações nas siderúrgicas instaladas no País. Em setembro, a utilização da capacidade da indústria encerrou em 61,3%, muito abaixo do índice de ocupação considerado ideal para o setor, de 80%. A média global, no mesmo período, ficou em 71,9%.

Na crise de 2008, o setor travou e chegou a registrar, em janeiro de 2009, índice abaixo de 50% da capacidade de produção. Mas, em setembro daquele ano, o índice já havia voltado para 80%.

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