Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Governo tenta reconstruir credibilidade na economia

Embate no Congresso pelo reajuste do mínimo é o primeiro esforço para vencer a desconfiança[br]do mercado

Lu Aiko Otta, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2011 | 00h00

Ainda há muita desconfiança, mas o modo como a presidente Dilma Rousseff conteve as pressões para elevar o salário mínimo adicionou uma peça a mais num processo que começa a tomar corpo entre os economistas: a de reconstrução da credibilidade da política econômica.

Dilma prometeu austeridade nos gastos este ano e mostrou no primeiro embate com o Congresso que está disposta a entregar a encomenda. "O salário mínimo é apenas o começo do resgate da credibilidade da política fiscal, mas não deixa de ser um bom começo", diz o economista Sérgio Vale, da MB Associados.

Não é só na questão de gastos que o governo vem dando mostras de consistência. Ela pode ser vista, também, em relação aos juros. O Banco Central estreou o governo de Dilma elevando a taxa de juros de 10,75% para 11,25% em janeiro. Nem por isso se viram os ataques do "fogo amigo", tão comuns no governo Lula. De fato, pessoas próximas ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, um tradicional crítico da atuação da autoridade monetária, dizem que desta vez ele concordou com a alta dos juros.

"Não tem mais aquelas palhaçadas em véspera do Copom", diz o economista-chefe do banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves. Ele se refere a notícias vazadas para a imprensa antes ou logo após a reunião do Comitê de Política Monetária, dizendo que o presidente Lula torcia por um corte nos juros ou que não gostou da elevação da taxa.

Tampouco há ataques às medidas adotadas pelo Banco Central para conter o crescimento do crédito, que vão esfriar a economia. Em dezembro, foi elevada a exigência de depósitos compulsórios dos bancos, retirando de circulação R$ 61 bilhões antes disponíveis para emprestar.

Na quinta-feira, foram anunciadas regras mais rigorosas para controlar o risco das instituições financeiras ao conceder crédito. "Tem uma combinação bem combinada entre Fazenda, Banco Central, Planejamento e noticiário", acredita Gonçalves.

Ele suspeita até que o fato de os ministros da Defesa, Nelson Jobim, e das Comunicações, Paulo Bernardo, haverem explicitado o corte que sofrerão em seus orçamentos foi uma estratégia para dar mais credibilidade ao ajuste de R$ 50 bilhões. Mostra que há comprometimento deles com os novos valores.

Outro sinal de que o controle do gasto público vai ganhar relevância este ano é a ida do economista Márcio Holland para o comando da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Ele é dos que acreditam que uma boa política fiscal ajuda a evitar problemas no câmbio.

"Os sinais são convergentes e, com isso, os prêmios de risco podem cair, como estão caindo", diz o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas. "Quando há dúvidas se o governo vai agir desta ou daquela forma, há um prêmio, pois o mercado coloca prêmio em tudo."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.