Governo tenta reduzir pessimismo do mercado

O Banco Central (BC) realizou novo leilão de títulos cambiais ontem, o décimo em quatro dias úteis, mas as cotações do dólar comercial têm se mantido acima de R$ 2,70. Além disso, à noite, divulgou novas medidas com o objetivo de conter a escalada do dólar. No final da semana passada, com esta mesma intenção, o BC já havia elevado de zero para 10% o recolhimento compulsório para depósitos a prazo.Uma das mudanças anunciadas ontem foi a mudança na forma do recolhimento compulsório sobre depósitos à vista, que deve retirar do poder dos bancos aproximadamente R$ 4 bilhões. Além disso, o BC tornou mais caro, para os bancos, fazer operações com moeda estrangeira. Todas estas medidas reduzem efetivamente o volume de recursos em circulação no mercado e podem provocar, além da estabilização das cotações do dólar pretendida pelo governo, uma alta nos juros, já que encarecem a captação de dinheiro (veja mais informações no link abaixo).Incertezas internacionais permanecemAs medidas pretendem acalmar os mercados e conter a desvalorização cambial, mas a instabilidade internacional mantém os investidores pessimistas. A perspectiva de um conflito armado envolvendo os Estados Unidos e o regime Taliban do Afeganistão pode trazer muitos imprevistos, mesmo que os cenários catastrofistas de duas semanas atrás tenham sido descartados com o discurso mais ponderado do presidente George W. Bush. E o apoio maciço dos governos mundiais reduz as perspectivas de alastramento dos confrontos.Mas, a economia norte-americana entra quase certamente em recessão num período turbulento, e os investidores preferem não arriscar, o que significa sacar recursos de aplicações de maior risco e transferi-las para opções mais seguras. Os maiores prejudicados são as bolsas de valores e os países emergentes, dentre eles o Brasil (veja mais informações no link abaixo).A saída de recursos, tanto de investimentos em produção como em capital especulativo, estimulam taxas de juros mais altas e pressionam as cotações do dólar. Como o Brasil depende de capitais externos para cobrir o rombo nas contas externas, a melhor saída é uma expansão das exportações, o que está de fato ocorrendo, mas o comércio exterior demora a responder. Para esse ano, o governo já espera um superávit comercial de US$ 2 bilhões, e para 2003, US$ 5 bilhões. São bons resultados, mas insuficientes, e já levam em consideração a queda nas importações por causa da alta do dólar e também pela redução no crescimento econômico. A previsão é que juros e dólar seguirão pressionados, e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), sem fôlego para recuperação. Ao menos, segundo analistas, o governo não correria o risco de insolvência, o que já é bem mais provável na Turquia e na Argentina. A boa notícia é que o petróleo deve ficar mais barato. A desaceleração da economia mundial, e, em especial dos Estados Unidos, os maiores consumidores de energia do planeta, deve conter a demanda por petróleo. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) deseja, mas provavelmente não conseguirá, manter a faixa de oscilação do produto entre US$ 22 e US$ 25, o que alivia um pouco a conta de importação brasileira.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

27 de setembro de 2001 | 08h05

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.