Governo terá de escolher entre aumentar juros ou meta de inflação, diz Ibmec

A equipe econômica do governo terá que fazer neste mês a difícil escolha entre elevar os juros ou ampliar a meta de inflação, segundo avalia o ex-diretor do Banco Central e economista do Ibmec, Carlos Thadeu de Freitas. Para ele, a meta atual definida de 8,5% para o ano é "inatingível" caso a taxa Selic permaneça em 25,5%, já que a partir de março haverá pressão de demanda em conseqüência de reajustes de salários e a perspectiva de uma guerra no Iraque já tem efeitos sobre o câmbio."Caso a meta seja ampliada para 11% por causa da iminência da guerra, como aposta parte do mercado, a elevação dos juros não será necessária", avalia Thadeu de Freitas. Suas contas apontam que a meta atual, se mantida, exigiria IPCA mensal em torno de 0,35% a partir de agosto, o que ele considera "muito difícil" e que exigiria uma política monetária bastante austera. Já a meta ampliada de 11% seria mais factível porque, segundo ele, exigiria IPCA mensal em torno de 0,8% no segundo semestre do ano. O economista chamou a atenção para o fato de que a inflação deste ano já está contaminada pelos picos registrados no ano passado e vai influenciar decisões cruciais para o comportamento dos preços, como os reajustes salariais. "Uma inflação de dois dígitos para o ano é realista. Senão, os juros terão que ser elevados substanciamente já na reunião do Copom de fevereiro", disse.

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