Governo trata mercado de capitais como ‘mulher de malandro’, diz Pastore

Ex-BC afirmou ainda que Dilma utiliza as estatais para manipular os fundamentos da economia

Fernanda Nunes, da Agência Estado,

23 de novembro de 2012 | 15h57

RIO - O ex-presidente do Banco Central e professor da Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getúlio Vargas (EPGE-FGV), Affonso Celso Pastore, afirmou hoje que "o governo vem tratando o mercado de capitais como mulher de malandro". A afirmação foi feita em palestra durante o seminário Perspectivas para 2013, realizado pela FGV.

O economista disse ainda que a equipe da presidente Dilma Rousseff vem utilizando empresas estatais para manipular os fundamentos da economia. Esse seria o caso, segundo ele, do controle dos preços dos combustíveis pela Petrobrás com o objetivo de segurar a inflação e também da intervenção no Banco do Brasil e na Caixa, cujas atuações provocaram a queda das taxas bancárias. Ao tomar esse tipo de medidas, o governo estaria desvalorizando as ações dessas empresas, assim como vem ocorrendo recentemente com a Eletrobrás.

"Isso tem influência sobre o câmbio. Mas o fluxo de capitais irá voltar. Neste momento, o governo deverá intervir e, ao fazê-lo, terá que combinar intervenções no mercado à vista com novos controles no mercado de capitais. Aí, os custos são muito maiores", disse Pastore.

O crescimento do custo unitário da mão de obra da indústria foi destacado por Pastore como uma variável importante para influenciar a capacidade de investimento do setor e também de continuidade do crescimento da economia. "A indústria não tem capacidade de repassar para o preço o aumento de custo e, com isso, cai o lucro. O problema é conjugado entre câmbio e aumento de custo da mão de obra. A pergunta é o que vai acontecer daqui para frente", afirmou Pastore.

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