Evaristo Sa/AFP
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Governo trava luta incansável para evitar rebaixamento da nota da Petrobrás, diz Dilma

Presidente disse que a situação do mercado de petróleo vai obrigar todas as empresas do setor a fazer uma revisão dos seus negócios

Rafael Moraes Moura e Lisandra Paraguassu, O Estado de S. Paulo

22 Dezembro 2014 | 13h13

A presidente Dilma Rousseff disse nesta segunda-feira, 22, que o seu governo não compactua com "nenhum processo de fragilidade institucional da Petrobrás", destacou que o Palácio do Planalto está travando uma "luta incansável" para que a nota da estatal não seja rebaixada e assegurou a política de conteúdo nacional e o modelo de partilha serão mantidos no segundo mandato.

A deterioração da situação financeira da Petrobrás, com a demora na apresentação de seus resultados trimestrais, além do abalo na sua credibilidade internacional com as denúncias de corrupção levaram a agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) a rebaixar na semana passada a nota individual da companhia. Para a agência, a estatal terá acesso "restrito" ao crédito e precisará de um "apoio extraordinário" do governo em caso de piora do cenário.

"Nós estamos numa luta incansável para não rebaixarem a nota da Petrobrás. A situação hoje do mercado de petróleo vai obrigar todas as grandes empresas e as pequenas e médias, a fazer uma revisão dos seus negócios. A Petrobrás, do ponto de vista da sua atividade, vai muito bem, obrigada", disse Dilma, durante café da manhã no Palácio do Planalto com repórteres que cobrem a Presidência da República.

"(A Petrobrás) Vai muito melhor neste ano do que em qualquer um dos anos anteriores, porque nós estamos atingindo um nível de produção de barris por dia extremamente elevado", frisou a presidente. 

Fragilidade. Sobre a apuração em torno de um esquema de corrupção instalado dentro da empresa, Dilma destacou que a investigação é "fundamental", mas que a empresa não sairá fragilizada do processo. 

"(Isso) Não vai acabar com o modelo de partilha nem de conteúdo nacional. No que depender do meu governo não compactuaremos com nenhum processo de fragilidade institucional da Petrobrás."

Mercado. Durante a conversa com jornalistas, Dilma disse que ficou "perplexa" ao ler nos jornais que estava à procura de um nome de mercado para assumir a Petrobrás. 

"A Petrobrás não é uma simples, não é uma empresa trivial, alguém que chegar hoje na Petrobrás e interromper a marcha das investigações que está sendo feita lá dentro, ou descontinuar todo o choque de governança necessário para a Petrobrás, qual o resultado que terá?", questionou.

"Ela (Graça Foster) recebe um nível de pressão que poucas pessoas seguram, ela segura pelos compromissos que tem com a Petrobrás e o País. Eu penalizo ela por algo que não é responsabilidade dela? A quem interessa tirar a Graça Foster? Por quê? A quem interessa? O que tem por trás disso?"

Para a presidente, a investigação desencadeada com a Operação Lava Jato não pode demorar. "O princípio da impunidade é demorar anos. Não queremos isso mais, nós queremos celeridade, eficiência e punição e eu não estou achando que vai demorar anos."

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