Governo usará rede elétrica para suprir gasodutos

O governo, a mando da presidente Dilma Rousseff, vai usar a rede de transmissão elétrica para suprir a carência de gasodutos no País e tornar viável a utilização do gás produzido em terra no Brasil, hoje uma fonte de energia pouco competitiva e com potencial desperdiçado. A ideia, encampada pela Petrobras, é transformar o gás em energia elétrica ao lado do poço de produção, usando posteriormente a rede de linhas de transmissão para escoá-la. A estratégia replicaria a nova e bem-sucedida experiência da OGX/MPX no Maranhão.

SABRINA VALLE, Agencia Estado

15 de abril de 2013 | 18h41

"É um modelo mais barato que o de gasodutos. Hoje, já é uma necessidade. O gás só tem viabilidade comercial se puder ser monetizado", disse o superintendente de Planejamento, Pesquisa e Estatística da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Elias Ramos de Souza.

A diretora-geral da ANP, Magda Chambriard, revelou que a agência vai mapear as linhas de transmissão do País e apresentar o estudo ao mercado antes do leilão de áreas voltadas à exploração de gás em terra, em outubro. Gasodutos são investimentos caros, viáveis para grandes volumes. Já as térmicas podem servir à produção em menor escala, abrindo espaço para que depois seja expandida. "Foi uma ideia da presidente Dilma", destacou.

A Petrobras montou um programa de produção de gás onshore (Prongas) com uma equipe dedicada a estudar o potencial de gás das bacias brasileiras. A presidente da companhia, Graça Foster, antecipou que blocos próximos à rede elétrica estão na mira da companhia. Outras empresas também estudam ativamente a malha de transmissão elétrica, segundo uma fonte do governo.

"O objetivo desse gás em terra é para geração de energia elétrica. Acreditamos que possamos repetir um projeto, muito conhecido no mundo, de produzir o gás e transformá-lo em energia elétrica ''na boca do poço'', injetando esses elétrons nas linhas de transmissão sem precisar de gasodutos", disse Graça, após evento para detalhamento do plano de negócios da companhia.

A ideia ganhou força depois que a ANP marcou para este ano três aguardados leilões de áreas exploratórias, após cinco anos sem rodadas. Um acontecerá daqui a um mês, com 123 blocos em terra (também serão licitadas 166 áreas marítimas), parte com potencial para gás. O de outubro será voltado para o gás em terra, num esforço do governo para descentralizar os investimentos no País na área de óleo e gás. As áreas ainda não estão escolhidas. O terceiro leilão será em novembro, o primeiro do pré-sal.

Magda não descarta que o potencial de gás ainda inexplorado no País possa superar os 50 bilhões de barris de óleo equivalente do pré-sal. Segundo a fonte do governo, a malha de gasodutos do País também será expandida, especialmente em Minas Gerais e no recôncavo baiano, regiões que concentram produção terrestre.

Hoje, apenas 16% da produção nacional de gás vêm de terra, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME). Dois terços da demanda total de quase 60 milhões de metros cúbicos/dia de gás são consumidos pela indústria. É uma fonte usada para produção de cerâmica, vidro e outros produtos com alto consumo energético.

"Essas áreas não estão concedidas a nós, mas estamos fazendo um trabalho muito forte de estudo dessas bacias sedimentares. Queremos voltar para o negócio de geração de energia elétrica em bases competitivas e sustentáveis", disse Graça.

Outra opção para transformar em negócio o gás é criar centros consumidores perto da região produtora, como a unidade de fertilizantes nitrogenados que a Petrobras constrói em Três Lagoas (MS).

Magda lembra que a OGX está produzindo na bacia do Parnaíba volume insuficiente para garantir a construção de um gasoduto. A companhia, depois de achar o gás, firmou contratos de fornecimento de energia e montou a termelétrica da MPX ao lado do poço. Com isso, disse, viabilizou a produção e agora tem condições de expandi-la. A ANP pretende ofertar áreas na mesma região.

Uma fonte do governo dá os números que justificam o negócio. O gás natural líquido é importado a cerca de US$ 15 por milhão de BTU. Chega pelo gasoduto da Bolívia entre US$ 10 e US$ 11 por milhão de BTUs. Já a OGX vendeu para a MPX o gás entre US$ 5 e US$ 6, de acordo com a fonte.

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