Andre Dusek/Estadão
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Governo vai apresentar ao Congresso agenda para a economia no médio prazo, diz Levy

Ministro da Fazenda participou de reunião com Nelson Barbosa, Renan Calheiros e outros senadores, que pressionam por uma agenda 'pós-ajuste'

Lorenna Rodrigues , O Estado de S. Paulo

10 de agosto de 2015 | 18h07

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse que o governo desenvolverá nos próximos dias uma agenda estruturante, com medidas para a economia no médio prazo a serem apresentadas ao Congresso Nacional. As medidas foram discutidas com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e outros senadores em reunião realizada nesta segunda-feira, 10. 

Os senadores pressionam por uma agenda "pós-ajuste", mas sinalizaram a votação do projeto que reduz a desoneração da folha de pagamentos. "Tenho a avaliação de que deve ser encontrado o encaminhamento para a desoneração. Vamos ver", disse Levy, ao deixar a residência do presidente do Senado. 

Renan apresentou na reunião uma agenda com medidas de longo prazo para a economia brasileira, entre elas a reforma do ICMS e do PIS/Cofins. "Vamos apreciar todos os pontos do ajuste dentro dessa lógica da agenda", afirmou. De acordo com Renan, Levy deve dar uma sinalização em relação às propostas na quarta-feira, quando deverá ir à presidência do Senado. 

O senador Romero Jucá (PMDB-RR) disse que os senadores querem virar a página do ajuste fiscal. "Virar a página é votar a desoneração e encerrar o ajuste fiscal. O ministro fez um apelo para votarmos a desoneração rapidamente", afirmou após a reunião.

Desoneração. Segundo o presidente do Senado, o projeto que reduz a desoneração será votado ainda nesta semana.  "Teremos uma reunião com os líderes para acertar o modelo da votação", declarou.

Apesar disso, Renan disse ver quatro cenários para a desoneração, e um deles é a retirada do pedido de urgência, o que não implicaria na votação do projeto. O presidente defendeu ainda a inclusão na agenda de longo prazo de reformas estruturais e da reforma administrativa, que inclui a redução do número de ministérios. "Não há como fazer ajuste fiscal sem tratar do tamanho do Estado", acrescentou. Ele pediu ainda uma política de reajuste do servidores públicos que caiba no espaço fiscal atual. 

Levy disse que tem havido uma convergência para encontrar uma pauta que mostre para onde o Brasil quer ir. "O presidente Renan e os senadores deram indicações de que estão preparando as condições para entrarmos nessa nova fase. Estamos aproveitando coisas que já estávamos fazendo para entrar nessa agenda mais formal", acrescentou Levy. 

Impeachment. Sobre os pedidos de impeachment da presidente Dilma Rousseff, Renan disse que essa não à uma prioridade. "Na medida em que o Congresso torne isso prioridade, estaremos pondo fogo no Brasil", afirmou.

Jucá, por sua vez, disse que esse não é o foco no momento. "Governo eleito só pode ser afastado em questões extremamente graves", acrescentou.

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