Governo vai capitalizar Caixa com R$ 2,5 bilhões

Operação, que vai envolver troca de ativos, deve turbinar em mais R$ 30 bilhões a capacidade de empréstimos a empresas e pessoas físicas

Adriana Fernandes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2010 | 00h00

O governo vai capitalizar novamente a Caixa Econômica Federal. A operação de R$ 2,5 bilhões, que deverá ser anunciada hoje ou no início da próxima semana, vai turbinar em mais R$ 30 bilhões a capacidade de o banco estatal fazer novos empréstimos para as empresas e pessoas físicas.

A Agência Estado apurou que a operação de aumento de capital da Caixa não envolve injeção direta de recursos ao banco e deverá ser feita com troca de ativos, modelo semelhante ao que está sendo desenhado para a capitalização da Eletrobrás. A capitalização da estatal de energia também será anunciada nos próximos dias pela equipe econômica.

Segundo fontes, a capitalização da Caixa tem como objetivo manter o atual ritmo de crescimento do crédito do banco, que no primeiro semestre do ano bateu a marca de 50%. O foco da capitalização é o aumento do crédito para obras de infraestrutura em saneamento, transportes e energia. O banco tem uma demanda de R$ 20 bilhões de crédito nessas três áreas e que pretende atender até o fim do ano.

Infraestrutura. A expectativa da Caixa é fechar o ano com uma carteira de crédito de R$ 180 bilhões, com aumento de cerca de 47% sobre 2009. Até julho, a carteira estava em R$ 153 bilhões. A carteira de crédito comercial da Caixa para projetos de infraestrutura é hoje de cerca de R$ 10 bilhões, volume ainda considerado tímido pelo governo. A orientação da equipe econômica é que o crédito para esses setores seja expandido e também para o setor imobiliário .

Na reta final do governo, a área econômica está concluindo uma série de capitalizações das estatais, boa parte delas feita com engenharia financeira de troca de ativos. O Banco do Brasil (BB) e a Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) foram beneficiados com essa política.

Em abril, o governo baixou um decreto que aumentou em R$ 2,7 bilhões o capital do BNDES, sem a emissão de ações. A capitalização foi feita com a transferência de direitos da União decorrentes de Afac (Adiantamento para Futuro Aumento de Capital) que o governo fez nas Centrais Elétricas Brasileiras (Eletrobrás). Esse aumento de capital permitiu ampliar em R$ 35 bilhões a capacidade do BNDES de emprestar.

Os bancos têm que respeitar limites de capital para emprestar. Os limites são fixados pelo Banco Central. Quanto maior o capital do banco, maior a capacidade de alavancagem.

Crédito em alta

50%

Foi quanto cresceu a concessão de crédito da Caixa no semestre.

R$ 2,5bi é a capitalização

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