Governo vai estimular a troca de máquinas

Pacote para a renovação do parque fabril, com juro menor e incentivo tributário, é prioridade para a presidente Dilma Rousseff

Adriana Fernandes e Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2014 | 02h04

A presidente Dilma Rousseff deu sinal verde para a equipe econômica preparar um novo pacote com medidas de estímulo à renovação das máquinas usadas pelas indústrias brasileiras. Fontes do governo informaram ao 'Broadcast', serviço em tempo real da 'Agência Estado', que essa agenda entrou na pauta de prioridades de Dilma. O programa de modernização também está sendo avaliado pela equipe que elabora o plano de governo da campanha à reeleição.

Uma das possibilidades em análise pelo governo é a criação de uma linha de financiamento especial para troca das máquinas com juros mais baixos e também novos incentivos tributários para as empresas que ingressarem no programa de renovação de equipamentos. Outra proposta em análise é a concessão de um crédito fiscal para que a empresa possa abater os tributos devidos.

As medidas visam dar um "choque" de modernização no parque industrial e também socorrer os fabricantes nacionais de máquinas e equipamentos.

Em encontro com empresários no Palácio do Planalto, há uma semana, a presidente disse que renovação do parque industrial é prioridade e deixou clara a importância das medidas para garantir o aumento da produtividade e competitividade da indústria.

Idade. As máquinas e equipamentos usados pela indústria nacional têm idade média de 17 anos, considerada muito elevada para garantir maior competitividade aos produtos brasileiros neste momento de maior acirramento da competição no mercado internacional.

Um dos pontos em análise é em relação ao descarte de máquinas. Uma proposta seria o fabricante ser responsável pelo descarte e a outra seria a criação de um sistema de empresas homologadas exclusivamente para esse tipo de operação.

"Foi dado o start. É uma agenda do modelo que está sendo estudado", disse uma fonte do governo. Ela avaliou, no entanto, que dificilmente será possível anunciar as medidas antes das eleições, inclusive pelas restrições impostas pela legislação eleitoral.

Negociações. De acordo com outra fonte ouvida pelo Broadcast, depois do encontro dos empresários com Dilma, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, recebeu, em plena sexta-feira após o feriado de Corpus Christi, um grupo de empresários da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) para uma conversa sobre o assunto.

Em ano de campanha eleitoral, a equipe da presidente tem intensificado nas últimas semanas uma estratégia de aproximação com o setor produtivo e financeiro numa tentativa de sinalizar medidas para um segundo mandato em busca de apoio na campanha eleitoral.

A política industrial é um dos programas mais criticados do governo Dilma, principalmente porque depois de várias medidas adotadas, entre elas a desoneração da folha de pagamentos, o setor continua patinando num quadro de grande dificuldade e perda de mercado.

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