Governo vai manter inflação sob controle, diz Coutinho

As políticas fiscal e monetária vão manter a inflação sob controle no Brasil, disse o presidente o BNDES, Luciano Coutinho, em palestra para uma platéia que reuniu investidores internacionais e empresários brasileiros, hoje, em Nova York. "A decisão do governo brasileiro é muito clara, o presidente está muito comprometido em manter a inflação sob controle. Vai manter a inflação sob controle, com ajuda da política fiscal", afirmou. Coutinho disse que é necessário manter a inflação "preferencialmente logo abaixo da meta" para assegurar que a inflação não vá "escapar" do controle. "Esta é uma forte decisão do próprio presidente. Ele entende claramente quão importante é manter a inflação sob controle."O presidente do BNDES ainda disse acreditar que "a política fiscal brasileira deveria conter o crescimento dos gastos correntes. Os gastos correntes do governo deveriam ser mantidos em uma taxa muito menor de expansão. Deveríamos ajudar o investimento público aumentar". O Fundo Soberano do Brasil (FSB), avalia Coutinho, é uma "engenharia que vai ajudar a conter o crescimento excessivo de demanda do governo na economia brasileira. Não é aconselhável que este fundo, neste momento, seja alimentado por nova dívida pública. Não é esta a intenção, poderia ser no futuro", admitiu.O presidente do BNDES ponderou que o FSB é uma "boa iniciativa, porque é baseado no aumento do superávit primário" e também vai ajudar a mitigar a apreciação do dólar. "Se combinar estas duas coisas, (o FSB) poderia ser um passo positivo", acrescentou em resposta a uma pergunta feita pelo presidente do Banco Itaú, Roberto Setúbal, na sessão de perguntas e respostas da palestra que encerrou o Terceiro Encontro Anual da Itaú Securities, em Manhattan. O banqueiro questionou se um aumento do superávit primário não teria sido melhor para a economia do que a criação do FSB.Coutinho argumentou que o FSB é positivo, pois a idéia é aumentar o superávit primário e, para isso, "tem de manter controle dos gastos. É um controle implícito da expansão dos gastos".Para a platéia que reunia executivos de empresas brasileiras que participaram do encontro da corretora, em Nova York, e investidores potencialmente interessados em investir nelas, Coutinho disse que o setor privado "é altamente lucrativo e apresenta perspectivas muito robustas de investimento", mas emendou que inovação é "necessidade" para Brasil.O presidente do BNDES reconheceu que a inflação é um problema neste momento, e que as expectativas de inflação "se deterioram um pouco", mas ressalvou que esta é uma questão mundial. "Inflação é uma ameaça global" e disse que grande parte das pressões inflacionárias vem do cenário global, "particularmente dos preços de commodities".O presidente do BNDES citou expectativas de que a economia do País cresça em ritmo de 5% ou 5,5% nos próximos anos e classificou a economia brasileira como "preparada" para ter crescimento sustentável. Coutinho observou que o cenário é de "otimismo" para o Brasil. "A perspectiva para o Brasil é bastante positiva. Tivemos grau de investimento pela Standard and Poor''s e esperamos upgrade de outras agências. Temos quase R$ 200 bilhões em reservas internacionais que protegem a economia brasileira de choques externos", acrescentou.O presidente do BNDES acredita que o "plano para aumentar a produção agrícola brasileira nos próximos dois anos" vai ajudar a "neutralizar" as pressões inflacionarias, "e não apenas para o Brasil", citou ao destacar a importância do País no setor agrícola mundial. Ele disse que a pressão sobre commodities agrícolas nos mercados internacionais seria muito maior se não fosse a contribuição do País no setor.

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