Governo vai mediar negociação de empresas e caminhoneiros sobre o preço do frete

Planalto vai propor uma nova fórmula de preço para o frete como carro-chefe da articulação para encerrar o bloqueio de rodovias

Nivaldo Souza e Rafael Moraes Moura, O Estado de S. Paulo

24 Fevereiro 2015 | 17h46

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto, confirmou nesta noite de  terça-feira, 24, que o governo federal criará uma mesa de negociação entre os caminhoneiros que fazem protestos no País e os empresários para "avançar na questão do preço do frete" - conforme antecipado pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado. A mesa vai agrupar sindicalistas dos caminhoneiros, empresários e ministros. "Nós estamos instalando amanhã (quarta-feira) e coordenando uma mesa de negociações, de diálogo, entre empresários, representantes das lideranças dos caminhoneiros, às 14 horas, para que possamos, num ambiente de negociação direta, avançar na solução do preço do frete no nosso País", disse.

A decisão ocorreu após reunião entre ele, o titular do Ministério dos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues, e o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Marivaldo Pereira. No encontro, ficou acertado que o Palácio do Planalto colocaria uma nova fórmula de preço para o frete como carro-chefe da articulação para debelar o bloqueio de rodovias pelos caminhoneiros. "Nós estamos muito confiantes de que possamos voltar à normalidade e recuperar um ambiente positivo de diálogo e de solução de grande parte da pauta levantada pelos caminhoneiros do nosso País", disse.

Rossetto também confirmou que a presidente Dilma Rousseff tratou do tema com empresários nesta terça-feira. Ela manteve agenda com o presidente do Conselho de Administração do Grupo BRF, o empresário Abílio Diniz; o presidente da Fiat Chrysler Automobile para a América Latina, Cledorvino Belini; e se reúne ainda com o presidente da Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade, do Conselho de Governo, Jorge Gerdau. O protesto dos caminhoneiros foi o tema central. "O governo tem mantido diálogo permanente com as lideranças dos caminhoneiros e as lideranças empresariais", disse.

Segundo o ministro, o governo busca preservar o abastecimento para evitar prejuízo à já combalida economia em meio aos protestos. "O governo tem tomado todas as medidas para evitar a obstrução das nossas rodovias, garantindo assim o abastecimento da sociedade brasileira e evitando prejuízos a nossa economia. Ao mesmo tempo, o governo tem estimulado uma negociação direta entre empresários e lideranças dos caminhoneiros para resolver a questão do preço do custo do frete, que afinal é o tema central dessas manifestações. 

Preço do diesel. O governo não pretende atender um dos principais itens da pauta de reivindicações dos caminhoneiros: a redução do preço do diesel. Os trabalhadores bloqueiam rodovias em todo o País em protesto à decisão do Palácio do Planalto de ampliar a tributação incidente sobre combustíveis (Pis/Cofins e Cide). A alta no preço do diesel, de R$ 0,15 por litro, deve reforçar o caixa com R$ 12,18 bilhões em 2015. "Não está na pauta do governo a redução do preço do diesel neste momento", afirmou Rossetto.

Financiamento. Rossetto também afirmou que o BNDES está estudando a prorrogação do programa Pró-Caminhoneiro, que financia a compra de caminhões e equipamentos. O encerramento do programa está previsto para 31 de dezembro e, entre os itens da pauta dos caminhoneiros, está o pedido de uma carência de seis meses sobre dívidas contraídas. O ministro, contudo, não precisou se o governo irá renegociar as dívidas e esticar o prazo de acesso ao Pró-Caminhoneiro.

O pedido do sindicato dos caminhoneiros será debatido na reunião de amanhã, que acontecerá no Ministério dos Transportes. "O BNDES já está analisando essa reivindicação de prorrogação desses financiamentos para os caminhões", indicou.

O governo também deve apresentar em detalhes o que pretende fazer com a nova Lei dos Caminhoneiros, aprovada no ano passado pelo Congresso e que aguarda sanção da presidente Dilma. "Nós estamos trabalhando de tal forma que amanhã levaremos uma posição tanto em relação à lei aprovada dos caminhoneiros como com relação a essa pauta de prorrogação do programa de financiamento Pró-Caminhoneiro, por parte do BNDES", disse.

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