'Governo vai poder dizer que cumpriu a meta de inflação', diz economista

Economista acredita que o IPCA vai fechar o ano entre 6,4% e 6,45%, mas alerta que a taxa continua em nível desconfortável

DANIELA AMORIM, IDIANA TOMAZELLI / RIO, O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2014 | 02h03

O resultado do IPCA em outubro, abaixo das expectativas, permitirá que a inflação encerre o ano dentro da meta do governo, cujo limite é 6,5%, avalia Monica Baumgarten de Bolle, diretora da Casa das Garças. A economista acredita que a taxa ficará entre 6,4% e 6,45% em 2014. O governo poderá dizer que cumpriu a meta, mas a taxa permanece em nível desconfortável, alerta. A seguir, os principais trechos:

O resultado do IPCA de outubro diminui o risco de estouro na meta de inflação em 2014?

Diminui, ainda mais com o ajuste da gasolina mais moderado. É um item importante do IPCA, mas, tendo sido só de 3%, o impacto é menor. A inflação divulgada hoje (ontem), mostrando arrefecimento nos alimentos, e a perspectiva de que nos próximos dois meses não se tenha grandes sustos, permite que o ano feche entre 6,4% e 6,45%. Ainda vamos estar desconfortavelmente perto do teto da meta, mas abaixo. Então, o governo vai poder dizer que cumpriu a meta.

Gasolina, energia elétrica, câmbio e estiagem são riscos para um possível estouro da meta?

Certamente. Os riscos que estão contratados são (no sentido de) pressionar a inflação, não o contrário. Às vezes, o câmbio demora um pouco mais para se traduzir em inflação. Mas a tendência é que uma desvalorização influencie os preços. A gasolina tem sim um efeito de alta inflacionária, mas é mais moderado porque o ajuste foi baixo.

Como fica a condução da política monetária?

Claramente tem de aumentar os juros, como o Banco Central já começou a fazer e deveria ter começado antes, porque afinal de contas a inflação não está dando sopa. Como a meta de inflação hoje é o teto, os 6,5%, para o Banco Central esse resultado de hoje (ontem) gera maior alívio de curto prazo. No médio prazo, o Banco Central sinalizou preocupação com efeitos do câmbio e do reajuste das tarifas públicas sobre a inflação. Acho que essa preocupação persiste apesar desse resultado.

O BC deve em algum momento acelerar o ritmo de alta?

Acho que não. É difícil intensificar muito o aperto de juros agora, porque a economia brasileira não está bem. Você corre o risco de jogar a economia numa recessão. E se ela já estiver numa recessão, jogá-la numa recessão mais forte. Por outro lado, você tem a inflação perturbando muito. Acho que a discussão desse Banco Central é muito mais na linha de continuar o ajuste de juros de forma bem gradual, de 25 (pontos-base) em 25.

Temos inflação raspando no teto da meta. Isso será a maior dor de cabeça para o próximo ministro da Fazenda?

Com certeza, porque há hoje um conjunto de desequilíbrios na economia brasileira que tornam a situação muito complicada. O BC está fazendo seu papel de um lado, mas de outro você tem um fiscal ainda meio fora de controle, e o ritmo de crescimento do crédito não condiz com inflação mais baixa. E tem um quadro de atividade ruim. Então, essa mistura mostra o dilema que o próximo ministro vai enfrentar.

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