Governo volta atrás e fala em restringir exportação de arroz

Ontem, diante da reação dos produtores, Stephanes disse que vendas da iniciativa privada estavam liberadas

25 de abril de 2008 | 18h03

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou atrás e novamente falou em restrição às exportações de arroz. Segundo ele, o País não pode "exportar arroz antes de avaliar nova safra". " Não queremos correr o risco de que falte arroz no Brasil", disse o presidente, em entrevista coletiva, após participar da inauguração da nova unidade petroquímica da Braskem, em Paulínia, interior paulista.   Veja também: Amorim compara etanol de cana-de-açúcar a colesterol bom Crise na oferta de alimentos é passageira, diz Lula Alimentos triplicam alta e IPCA-15 mais que dobra em abril ONU alerta para crise global real com alta de alimentos Especial: Entenda a crise dos alimentos  Itaipu, um gigante polêmico  Câmara Setorial de Arroz descarta a possibilidade de desabastecimento    Abitrigo estima que o preço continuará subindo nos próximos meses      Lula comparou a situação do arroz com a quebra da safra de feijão no ano passado, que, segundo ele, não causou preocupações ao governo. "Nós tivemos um crise em Irecê (BA), e o Paraná diminuiu a produção em 29%. Mas como o feijão é uma cultura que dá em três meses, ou seja, se planta e se colhe, estamos tranqüilos, porque é uma coisa muito passageira", afirmou.   Já em relação ao trigo, o presidente admitiu haver preocupação por parte do governo, uma vez que a Argentina, o principal exportador do produto ao País, criou um imposto para inibir as vendas externas e cancelou a emissão de registros de exportação. "Ou seja, vamos ter que importar trigo de outros locais e vamos ter que produzir trigo para que um dia possamos nos tornar auto-suficientes", declarou.   Arroz   Na quinta-feira, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, havia confirmado a suspensão das exportações de cerca de 500 mil toneladas de arroz dos estoques públicos, mas ressaltou, diante da reação negativa dos produtores, que as vendas da iniciativa privada continuam liberadas.   Para tentar conter a alta dos preços no atacado e no varejo e para evitar movimentos especulativos por parte dos produtores até a entrada da nova safra, o governo então havia decidido que faria leilões semanais de arroz dos estoques do governo.   No primeiro leilão, marcado para o próximo dia 5, serão ofertadas 55 mil toneladas, que serão vendidas por R$ 28 por saca de 50 quilos, preço inferior ao praticado no mercado interno, R$ 35 por saca. O produto a ser leiloado é antigo, da safra 2004/05.   Stephanes calculou que em teoria o País teria condições de exportar até 1,5 milhão de toneladas de arroz por ano, mas as vendas anuais têm somado 800 mil toneladas. "Nossa preocupação é que não passemos deste limite", disse.   Ele lembrou que os estoques públicos de cerca de cerca de 1,4 milhão de toneladas e o produto que está em poder da iniciativa privada, 1,8 milhão de toneladas, são suficientes para garantir o abastecimento interno, estimado em 13 milhões de toneladas. Até fevereiro de 2009, final do ciclo da cultura, o ministério estima que o mercado interno contará com 15,18 milhões de toneladas de arroz.

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