Governo zera dívida em bradies

Numa operação que vai pôr um ponto final em um difícil capítulo da história econômica do País, o governo vai recomprar nesta terça-feira, antecipadamente, todos os títulos da dívida externa que ainda restam no mercado internacional com a marca da moratória brasileira da década de 80, os bradies. Emitidos no processo de reestruturação da dívida externa acertado com os bancos credores em 1994, os bradies tinham vencimentos até 2024. Com a operação, o governo faz uma limpeza na dívida e abre caminho para o Brasil receber das agências de classificação de risco o chamado "grau de investimento" - o que permitirá ao País receber financiamentos mais baratos. A maior parte dos recursos para o resgate dos papéis - US$ 5,8 bilhões - já saiu segunda-feira das reservas internacionais para que o dinheiro esteja hoje na mão dos credores. O saldo dos bradies nas mãos dos investidores, que será resgatado nesta terça-feira, é de US$ 6,64 bilhões. Mas como a operação vai liberar um total de US$ 1,5 bilhão em títulos do Tesouro dos Estados Unidos dados aos bancos em garantia pelo governo brasileiro, a necessidade de utilização das reservas internacionais será menor. Como reflexo da operação, o estoque das reservas caiu US$ 5,596 bilhões, de US$ 60,090 bilhões para US$ 54,494 bilhões. O Tesouro comprou o restante dos dólares no mercado. As garantias serão liberadas num prazo de 20 dias. A operação Os bradies são assim chamados porque foram emitidos num processo de negociação da dívida inspirado pelo secretário do Tesouro dos Estados Unido na época, Nichoas Brady. Os papéis têm uma cláusula que permite ao Tesouro Nacional a recompra antecipada nas datas de pagamento de juros a cada ano, em 15 de abril e 15 de outubro, por 100% do valor de face. Como o dia 15 caiu no sábado e o feriado da Páscoa continuou em vários países do mundo na segunda-feira, a operação será concluída somente nesta terça, quando os números oficiais serão divulgados pelo secretário do Tesouro, Carlos Kawall. O anúncio da recompra foi feito em fevereiro passado. Na data do anúncio e nos dias seguintes, o risco Brasil - taxa que mede a desconfiança do investidor estrangeiro em relação à capacidade de pagamento da dívida do País - despencou para os níveis mais baixos da história. O resgate antecipado dos bradies vai possibilitar uma economia de US$ 345 milhões em despesas com juros. A operação faz parte de um programa do Tesouro iniciado em janeiro deste ano de recompra de títulos da dívida com vencimento até 2010, no qual os bradies foram incluídos. O programa visa melhorar o perfil da dívida para o Brasil receber mais rápido o "grau de investimento".

Agencia Estado,

18 Abril 2006 | 02h16

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