Governos terão de ser mais austeros, recomenda BIS

Outra constatação do BIS é de que, apesar de todas as medidas já tomadas, entre 2007 e 2011, a dívida média passou de 75% do PIB para 110%. Juntos, Espanha e Itália acumulam uma dívida de 2,7 trilhões. O déficit de governos passou em média de 1,5% para 6,5%. O resultado é uma perpetuação de um crescimento fraco e bancos fragilizados, já que muitos ainda dependem de recursos do estado.

O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2012 | 03h04

Mas o BIS faz uma previsão ainda mais sombria. Para que os níveis da dívida em relação ao PIB retornem para os índices de 2007, orçamentos fiscais de países ricos precisariam de um superávit de 2% do PIB durante os próximos 20 anos.

O BIS não deixa espaço para a dúvida. Governos terão de adotar novas medidas de austeridade, cortar pensões e gastos na saúde. "O equilíbrio é pré-requisito para a volta do crescimento", alertou. "Mais precisará ser feito", indicou, reforçando a posição adotada pela chanceler alemã Angela Merkel.

Para a Europa superar a crise, o receituário do BIS é uma verdadeira missão impossível. Terá de fazer seu ajuste fiscal recapitalizar bancos, consolidar suas contas e ainda uma nova regulação mais rigorosa para os bancos.

Para sanear os bancos, a lista de tarefas também é ampla, principalmente para os europeus. Segundo o BIS, as dúvidas em relação à saúde dos bancos hoje são tão elevadas quando no pico da crise, na quebra do Lehman Brothers. O setor não promoveu a desalavancagem que prometeu e chegou o momento de os governos promoverem uma reforma no setor para impedir a promoção de uma nova crise.

"Hoje, muitos bancos ainda dependem do financiamento dos bancos centrais e não estão na posição de promover crescimento", indicou o relatório. "O mercado não entende a crise como tendo terminada." Metade de 205 bancos avaliados precisam passar por reformas e contam com um buraco somado de 1,7 trilhão./J.C.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.