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GP fecha acordo de venda do Hopi Hari

Consultoria Íntegra assume controle se credores abaterem parte da dívida

Patrícia Cançado, O Estadao de S.Paulo

14 de fevereiro de 2009 | 00h00

No cardápio da GP Investimentos desde 1995, o parque de diversões Hopi Hari deve finalmente mudar de mãos. Ontem, a Íntegra - consultoria especializada em reestruturação de empresas em sérias dificuldades financeiras - assinou uma carta de intenções para assumir o controle da companhia. O acordo, previsto para sair em até três meses, só será concluído se os bancos credores aceitarem a renegociação da dívida, que hoje está entre R$ 500 milhões e R$ 600 milhões, segundo fontes próximas à companhia, cerca de sete vezes o faturamento anual do Hopi Hari.Para levar o parque de diversões, a Íntegra colocou como condição que haja um grande abatimento na dívida. Hoje, o principal credor do parque é o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Quando a consultoria assumiu a tarefa de renegociar a dívida da Parmalat, conseguiu um desconto de 80%. No caso do Hopi Hari, o saldo final deve ser proporcional à capacidade de geração de caixa da companhia. A dívida, como está hoje, inviabiliza o futuro do negócio. Caso feche a compra, a Íntegra vai assumir a dívida e investir R$ 10 milhões em dinheiro. O capital viria do caixa da consultoria. Com isso, ficará com 95,49% do capital votante e 93,11% do capital social total da companhia.Essa é a primeira vez que a Íntegra compra uma empresa. Desde o ano passado, seus sócios estudam a possibilidade de adquirir empresas que precisam de reestruturação societária e financeira. O Hopi Hari tem exatamente esse perfil. Inaugurado há uma década, o parque tem como acionistas principais a GP (44,5%) e os fundos de pensão Previ (10%), Fundação Atlântico, do Grupo Oi (13,2%), Funcef, da Caixa Econômica Federal (10,91%), e Petros, da Petrobrás (9,88%). O desejo dos acionistas de se verem livres do investimento é público e notório há algum tempo. Em setembro, o presidente da Previ, Sérgio Rosa, disse ao Estado, que, com a venda do complexo hoteleiro da Costa do Sauipe - que acabou não se concretizando -, o próximo passo seria o Hopi Hari. Na ocasião, Rosa já dizia que seria uma saída em conjunto. "Todos os sócios estão trabalhando na mesma direção. Ninguém está fazendo nada sozinho. Estamos procurando alguém que se interesse em adquirir o parque, que tenha possibilidade de investir e tocar para a frente."Quando foi criado, por uma empresa que era dona do terreno (a Senpar), a ideia era transformar a região, a 72 quilômetros de São Paulo, na Disneylândia brasileira. O parque consumiu centenas de milhões de reais, mas o retorno sempre ficou longe do esperado. Em 2008, a expectativa era crescer 17%, o que levaria seu faturamento a R$ 83 milhões. O parque, construído em 760 mil metros quadrados, recebeu até hoje 15 milhões de visitantes e é considerado o maior do País. Em 2008, foram 2 milhões.Os acionistas não se manifestaram sobre o acordo. Em nota, o presidente do Hopi Hari, Armando Pereira Filho, disse que "em 90 dias, com a conclusão bem-sucedida da operação prevista no acordo, Hopi Hari terá seu passivo financeiro adequado à potencial capacidade de geração de recursos, além de um aumento de capital, e com isso ampliará suas possibilidades de investimento para crescimento, reafirmando sua posição de liderança na indústria de parques".

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