GP Investimentos compra fatia da gestora suíça Apen por US$ 33 milhões

Com participação majoritária na companhia suíça, brasileiros pretendem acelerar o crescimento e expandir a operação para países emergentes; a transação, que contou com o aporte de duas gestoras americanas, será anunciada hoje ao mercado

NAIANA OSCAR, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2013 | 02h04

A GP Investimentos, uma das maiores gestoras de fundos de private equity do País, comprou uma participação de 26,7% da empresa de investimentos Apen, sediada na Suíça, por US$ 33 milhões, com recursos próprios. A transação, que será anunciada hoje ao mercado, é inédita para a gestora brasileira, fundada em 1993.

A participação majoritária na Apen vai permitir à GP expandir os investimentos na América Latina e em países emergentes. Além disso, a gestora brasileira passará a oferecer aos seus clientes uma nova modalidade de investimento. Hoje, a especialidade da GP é levantar dinheiro de investidores para comprar participações em empresas e tentar vendê-las, depois de alguns anos, com lucro. A instituição de ensino superior Estácio de Sá e a rede de hotéis BHG estão entre os principais investimentos da gestora brasileira.

  

Com a Apen, a GP vai estrear no mercado secundário, comprando participação de fundos que já fizeram aportes em uma companhia e querem deixar o negócio. "Nunca atuamos nesse segmento, porque o mercado de private equity no Brasil, que é o foco da GP, ainda é muito pequeno", diz Antonio Bonchristiano, co-presidente do conselho e co-CEO da GP. Ele diz que, para o investidor, a compra secundária é interessante porque ele já sabe quais são e como estão os ativos investidos. Além disso, ele tem a oportunidade de entrar no negócio muito perto do momento em que ocorrerá a distribuição do resultado, com o "desinvestimento".

Segundo Bonchristiano, o negócio faz sentido para a gestora brasileira porque é uma maneira de diversificar e acelerar os investimentos. "No private equity, trabalhamos com ciclos de longo prazo e o crescimento acaba se dando em intervalos longos também."

Como parte da transação, a GP foi contratada para administrar o portfólio da Apen. Isso será feito por meio de uma companhia criada pela gestora brasileira, mas que continuará tendo sede na Suíça e será comandada pelo atual presidente da Apen, David Salim.

Foi Salim quem propôs o negócio para os sócios da GP três meses atrás. Eles já se conheciam da época em que o presidente da Apen era executivo de uma fundação suíça que investia nos fundos da GP no País. Salim procurou os brasileiros porque a situação da Apen, desde a crise de 2008, não é das melhores. Como o resultado das empresas caiu drasticamente naquele período, a empresa teve de apelar a empréstimos para honrar compromissos de investimentos assumidos com investidores.

Há três anos, a Apen não faz novos aportes e até a transação que está sendo anunciada hoje, acumulava uma dívida de US$ 300 milhões.

Pelos próximos dois anos, segundo Bonchristiano, a prioridade é reduzir o endividamento da empresa. Por isso, o que entrar no caixa da companhia como resultado das empresas será alocado no pagamento da dívida. O balanço da nova 'Apen' terá cerca de US$ 30 milhões para investir. "Esse valor deve aumentar progressivamente nos próximos anos", diz.

A gestora brasileira não entrou nesse negócio sozinha. A Newbury Partners, fundo de private equity americano focado no mercado secundário, e o Fortress Investment Group, empresa americana de investimentos alternativos, terão, cada um, participação de 13,4%. Os 46,5% restantes continuarão nas mãos dos atuais acionistas da Apen e no mercado, já que a empresa tem capital aberto na bolsa de Zurique. A AIG, que também tinha participação na gestora suíça, vendeu sua fatia e deixou o negócio. Juntas, as três gestoras vão aportar cerca de US$ 247 milhões - montante que inclui capital novo, dívida e compra de ativos.

Estratégia. "Somos uma das primeiras companhias listadas de investimentos em private equity no mundo focando na estratégia de mercados emergentes", disse, em nota, o presidente da Apen, David Salim. Até agora, a prioridade da gestora suíça era investir em empresas americanas e europeias.

Com a entrada dos novos sócios, a Apen vai mudar o foco para a América Latina e países emergentes. Os novos gestores não definiram setores específicos, apenas regiões de interesse. Fazer aportes na Ásia também está nos planos. "Estamos muito entusiasmados com a oportunidade de estar presente em um novo segmento e desenvolver uma plataforma global", disse, em nota, o co-CEO da GP Fersen Lambranho.

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