GP leva laticínio por R$ 400 milhões

Gestora de recursos inicia a formação de um grupo de empresas de leite com a compra da Leitbom, de Goiás

Patrícia Cançado e Ricardo Grinbaum, O Estadao de S.Paulo

14 de abril de 2008 | 00h00

A GP Investimentos está para anunciar a compra da goiana Leitbom, um dos maiores laticínios do País. A aquisição marca a estréia da GP no agronegócio e reforça o interesse do mercado, sobretudo dos fundos de investimento, pelo leite. O valor da operação é estimado em cerca de R$ 400 milhões. A Leitbom, conhecida por Morrinhos (onde fica sua sede) estava à venda há três anos. O fundador, Domingos Vilefort, enfrentava problemas de sucessão. No fim de 2007, logo após a compra da Vigor, surgiram rumores de que o frigorífico Bertin ficaria com a Leitbom. Na reta final, a GP disputou a empresa palmo a palmo com a Nilza Alimentos, do empresário Adhemar de Barros Neto (ex-dono da Lacta). Até sexta-feira, o BNDES, dono de 12% das ações da Nilza, dava a operação como certa. As negociações entre os dois laticínios pararam há 15 dias, mas não chegaram a ser suspensas, segundo fontes de mercado.Antes do acerto definitivo, a GP teria oferecido R$ 360 milhões. A Nilza, que contava com o apoio financeiro do ABN Amro para bancar a aquisição, quis pagar R$ 400 milhões. Mas a GP havia assinado uma carta de intenções e exigiu o direito de preferência, diz uma fonte ligada às empresas. A GP vem prospectando o mercado de leite desde o ano passado. Sondou a Laticínios Bom Gosto, do Rio Grande do Sul, e disputou com a AIG a compra da paranaense Líder. A primeira escolheu o BNDES como sócio, para quem vendeu 23% das suas ações. A segunda preferiu concluir duas aquisições (fechadas em fevereiro) antes de vender parte da empresa. A Leitbom está entre os dez maiores laticínios do Brasil. Antes da onda de aquisições, era o quinto maior do ranking, atrás da Nestlé, Perdigão, Itambé e Parmalat. A empresa, que começou como uma fábrica de manteiga nos anos 60, é mais conhecida pelo seu potencial industrial. São cinco fábricas - quatro em Goiás e uma no Pará - e mil funcionários. Além da manteiga e do leite em pó e de caixinha, a empresa produz iogurte, doce de leite, queijo, creme de leite e leite condensado.Ao contrário das outras concorrentes do mesmo porte, que estão focadas no Sul e Sudeste, a Leitbom é forte nos mercados do Centro-Oeste e Nordeste. No ano passado, seu faturamento foi de R$ 450 milhões, segundo empresários do setor. O mercado de leite está em ebulição. Nos últimos 15 dias, quatro aquisições foram anunciadas, incluindo a da GP. A Perdigão comprou a mineira Cotochés no mesmo dia em que a Bom Gosto anunciou a incorporação da Sarita, também de Minas Gerais. Na semana passada, a Parmalat levou a marca Paulista e a operação da Poços de Caldas, ambas da Danone. A onda de aquisições é recente. O grande marco foi a compra da Eleva pela Perdigão, em outubro de 2007. Com a tacada, a Perdigão, que já era dona da Batávia, chegou ao topo do ranking do setor, atrás apenas da Nestlé, e despertou a atenção para o potencial do leite. "Houve uma mudança significativa no mundo. O consumo de lácteos na China e na Índia vem aumentando. Mas a demanda mundial cresce acima da oferta, o que abre espaço para o Brasil exportar", diz o presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios do Estado de Minas Gerais, Celso Moreira."A concentração ocorreu no mundo inteiro. A Nova Zelândia, maior exportadora mundial de leite, tem praticamente uma só empresa, a Fonterra, que no Brasil tem uma associação com a Nestlé", diz Moreira. O movimento de consolidação só está no começo e ainda deve durar mais dois ou três anos.O objetivo das empresas que estão investindo nessa indústria é ir além do leite e derivados. Muitos laticínios já estão produzindo de sucos prontos a cereais matinais. Segundo fontes ligadas ao negócio, a GP não deve ficar apenas com a Leitbom. Seu objetivo seria formar um grande grupo de laticínios para revendê-lo mais tarde. Cacife a GP tem. O dinheiro da compra da Leitbom virá de seu quarto fundo, de US$ 1 bilhão.

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